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Viradouro:
novo palco para Bibi
Em
seu primeiro ano como carnavalesco da Viradouro, Mauro Quintaes
terá o desafio de mostrar na avenida a trajetória da atriz
Bibi Ferreira. O enredo “A Viradouro canta e conta Bibi, uma
homenagem ao teatro brasileiro” abordará os 60 anos de
carreira e 80 de vida da atriz e diretora. Começando com os
programas de televisão apresentados por ela, passando por peças
como “My fair lady”, “O homem de La Mancha” e “Gota
d’água”, o desfile termina com um carro, “O legado de
Procópio Ferreira”, onde a homenageada estará fantasiada de
colombina.
Como não poderia deixar de ser, a escola promete abusar da
teatralização. Já no abre-alas, que representa um palco,
atores estarão encenando “O avarento”, que Procópio
Ferreira, pai de Bibi, interpretou:
— Foi a primeira peça com ele a que assisti. Adorei. A idéia
é levar o trabalho da Bibi ao povo que nunca teve acesso a ele
— disse Quintaes.
A estréia do carnavalesco promete mudanças na escola. A começar
pelos carros, que dobraram de tamanho:
— A Viradouro entrou no padrão das outras escolas. E o público
perceberá a mudança.
A costumeira coreografia das alas não se repetirá este ano.
— Tiramos tudo do chão e jogamos para cima dos carros, que
trarão artistas interpretando Bibi.
Mestre-sala e porta-bandeira: André e Patrícia
Componentes: Quatro mil em 29 alas
Mestre de bateria: Ciça
Rainha de bateria: Luma de Oliveira
Rio,
2 de Março de 2003
O
Globo Online
Espetáculo
em vermelho e branco Há
mais coisas entre os desfiles da Viradouro e da Porto da Pedra
do que um Molière ousaria imaginar. A vermelho-e-branco de
Niterói abrirá o seu espetáculo, em homenagem à diva Bibi
Ferreira, evocando o teatro. A comissão de frente terá 14
mestres-de-cerimônias, vestidos à moda do autor de “O
avarento”. A peça é um marco na carreira da atriz e dá nome
ao primeiro setor do desfile da escola. A também
vermelho-e-branco de São Gonçalo terá a sua comissão de
frente a cargo de Amir Haddad e do grupo Tá na Rua, seguidores
do teatro popular, que também já encenaram o texto do
dramaturgo francês nos palcos.
A festa profana rendeu-se ao mito sagrado Bibi Ferreira no
carnaval da Viradouro. O enredo percorre a trajetória dos 60
anos de sua carreira na grande arte. Será um desfile de cenários,
coreografias e personalidades da TV e do teatro, apresentando
Bibi ao maior público de sua vida. A homenagem emocionou a
atriz.
— A Viradouro vai fazer chegar ao ouvido das pessoas deste país
um palavra que muitos não sabem o que significa: teatro! É uma
homenagem a mim que muitos mereceriam. Mas talvez eu tenha sido
a primeira. Nem sei como vou chegar ao fim desse desfile — diz
Bibi, que estará fantasiada com uma carnavalesca colombina, um
dos símbolos da commedia dell’arte, no carro “O legado de
Procópio”.
Atrizes assumirão os personagens de Bibi
Vinte e seis artistas compõem o elenco que vai reverenciar
Bibi. Entre os que conseguiram um disputado lugar nos carros estão
Eliane Giardini, como a Joana, do musical “Gota d’água”;
Beth Coelho, como Piaf; Selma Reis e a cantora portuguesa
Alessandra Gaspar, dividindo o papel de Amália.
— É uma feliz coincidência, já que vou fazer “Gota d’água”,
no teatro, este ano — conta Eliane Giardini.
O presidente José Carlos Monassa também se orgulha da
homenagem e diz que o respeitável público vai aplaudir de pé.
— O enredo é belíssimo e nós temos uma garra de fazer
inveja a outras escolas — resume o presidente Monassa.
A deusa e madrinha de bateria Luma de Oliveira e seus 300
afilhados, comandados por mestre Ciça, estão afinados na deferência
que farão na avenida. Os tambores vão rufar como aplausos e os
ritmistas vão se curvar, quando o samba cantar “A Viradouro,
meu amor, faz a homenagem”, no segundo refrão.
Mauro Quintaes seguiu ao pé da letra o samba-enredo e as referências
dos musicais estrelados por Bibi na montagem das alegorias. O
abre-alas “O avarento” respeita o estilo barroco do teatro
clássico. Um moderno estúdio mostra a passagem da atriz pelos
primórdios da TV. Em “Gota d’água”, o carnavalesco diz
que criou uma espécie de escultura tridimensional, misturando
conjunto habitacional com esculturas gregas. Flávia
Duarte - O Globo - Niterói
Uma
apoteose para a grande Bibi Ferreira
Os 80 anos da diva do teatro brasileiro Bibi Ferreira serão
contados na Marquês de Sapucaí pela Unidos do Viradouro. A
homenagem é justíssima. Uma das maiores lendas vivas do teatro
brasileiro, que ainda por cima canta como poucas, merece até
mais.
Com o enredo, a escola de Niterói leva a atriz, cantora e
diretora a um novo palco. Nele colegas da atriz farão
homenagens aos principais personagens vividos por Bibi. Beth
Coelho viverá Edith Piaf; Eliane Giardini fará a Joana, da peça
"Gota d'água"; e Tânia Alves será a Elisa de "My
fair lady".
Na alegoria que mostra Bibi Ferreira na televisão, seis
mulheres farão o personagem: Rosana Garcia, Carla Marins, Flávia
Alessandra, Flávia Monteiro, Luiza Curvo e a ex-big brother
Leka. No abre-alas, Procópio Ferreira Neto encenará "O
avarento".
A fortíssima bateria da escola, que já foi responsável pela
inclusão da batida funk no carnaval, este ano promete uma
manobra difícil: uma reverência e uma salva de palma com os
instrumentos, para homenagear Bibi. A inovação está sendo
ensaiada junto com a madrinha, Luma de Oliveira, que chegou a
brigar com o presidente da escola mas garantiu a permanência
como principal diva da agremiação de Niterói. Depois de Bibi,
é claro... O
Globo On - 2 de março de 2003
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