Viradouro encanta e canta Bibi Ferreira


Homenageando a atriz Bibi Ferreira, a Unidos do Viradouro reuniu na Marquês de Sapucaí uma constelação de artistas do país. O resultado foi um Carnaval empolgante.
Para reverenciar Abigail Izquierdo Ferreira, os 3,8 mil componentes da vermelho e branco de Niterói ganharam o reforço de vários amigos da atriz. Paulo Goulart, Nicete Bruno, Rosamaria Murtinho, Ruth de Souza e Natália Timberg estavam no carro abre-alas.
O enredo "A Viradouro Canta e Conta Bibi Ferreira - Uma Homenagem ao Teatro Brasileiro", mostrou a história da atriz, destacando alguns de seus principais papéis.
Entre eles estavam Edith Piaf, interpretada na avenida pela atriz Bete Coelho e a cantora portuguesa Amália Rodrigues.

 

A atriz e bailarina Carolina Costa, 14 anos, foi um dos destaques representando a adolescente Bibi Ferreira. 

A foto ao lado mostra a belíssima Comissão de Frente e a performance da bailarina Carolina Costa.


Luma de Oliveira brilhou como rainha da bateria. Paulo César Grande, Juliana Paez e Selma Reis também defenderam a escola. No final do desfile a bateria parou por alguns instantes, reverenciou o público e deixou o enredo por conta da galera, que não parou de cantar. Nem o prefeito do Rio, César Maia, resistiu ao encanto da Viradouro. Maia invadiu uma das alas e brincou na Sapucaí.
Ao final, a grande homenageada chorou de emoção. "Eu me senti dona do mundo. E como dona do mundo, eu digo: paz pra todo mundo. A gente quer paz, não quer guerra".
 
                                                          
Redação Terra


 

Bateria dá um show e reverencia Bibi



Numa noite de desfiles mornos, a Unidos do Viradouro não passou em branco. Passou em vermelho, rosa, lilás, aproveitando-se não só da cor de sua bandeira para colorir a Sapucaí. Apesar de ter feito uma das melhores apresentações de ontem, a escola de Niterói não empolgou o público. Com o enredo “A Viradouro canta e conta Bibi — Uma homenagem ao teatro brasileiro”, a Viradouro mostrou que o teatro pode emocionar, sem empolgar.

A vermelho e branco do carnavalesco Mauro Quintaes apresentou um carnaval correto e bonito, como manda o figurino, mas sem o toque de originalidade que o público tem aplaudido nos desfiles. 

A bateria de mestre Ciça e a presença radiante da rainha Luma de Oliveira, como sempre, fizeram bonito. Mais uma vez, a coreografia dos 300 ritmistas, que se curvaram durante o refrão “A Viradouro, meu amor, faz a homenagem” arrancou aplausos do público. O rufo seguido da paradinha no trecho “abram-se as cortinas” foi mais um toque de criatividade do mestre, que já é reconhecido pelo seu perfeccionismo técnico.

Quintaes contou o seu enredo de forma didática. Tanto que usou encenações de “O avarento” no carro abre-alas, que representou o musical. Também foram usadas esquetes teatrais nos carros “Piaf” e no “Gota d’água”.

A riqueza na arquitetura das alegorias também chamou a atenção, ao contrário da comissão de frente que, embora luxuosa, não trouxe qualquer coisa nova à Sapucaí. O abre-alas, em homenagem ao teatro de Molière, respeitou o estilo barroco da época.

Em homenagem à grande dama do teatro, a escola levou no alto de seus carros alegóricos destaques interpretando Bibi Ferreira, como as atrizes Beth Coelho e Eliane Giardini.

Um desses carros representava um moderno estúdio de TV. As alas seguintes faziam referência ao musical “My fair lady”. Elas eram compostas por fantasias em degradê de rosa pink e lilás.

Aos 28 minutos, os diretores de ala levaram um susto. Por problemas de evolução, o desfile até então correto da Viradouro parou na avenida por durante quase dois minutos. Pelo tamanho da escola — quatro mil componentes em 29 alas — quase houve problemas no fim do desfile. Por pouco a vermelho e branco não repete o erro do Salgueiro, estourando o tempo. A Viradouro terminou sua apresentação a um minuto do prazo (80 minutos).

Problemas que Mauro Quintaes e o presidente da escola, José Carlos Monassa, não viram. Para eles, a escola está no páreo.

— Foi um desfile perfeito. Dá para brigar pelo título — acredita o carnavalesco.

— Acho que o desfile não teve defeitos — avaliou Monassa.



                                      
Diva promete voltar como tamborinista

A atriz Bibi Ferreira gostou tanto de sua estréia na avenida que já planeja novas temporadas carnavalescas no Sambódromo. Só que, da próxima vez, a homenageada do desfile deste ano quer outro papel: o de tamborinista. Bibi, que chegou à dispersão em êxtase, disse que vai estudar durante todo o ano e se tornará integrante da bateria de mestre Ciça.

Bibi disse que o desfile da Viradouro superou todas as suas expectativas e, muito emocionada, agradeceu a homenagem.

— Foi um momento divino. Estou feliz e muito honrada. Foi a maior e mais animada platéia que já tive — contou a primeira-dama do teatro brasileiro, que desfilou com um deslumbrante vestido de colombina preto e branco, no último carro.

Os componentes da escola também adoraram a participação da musa do desfile deste ano. O puxador Dominguinhos do Estácio terminou sua apresentação chorando de emoção:

— É uma honra muito grande poder homenagear a maior estrela do teatro do país.

A escola de Niterói contou na avenida a história dos 60 anos de carreira de Bibi Ferreira. A bailarina Carolina Costa a representou aos 14 anos na apresentação da comissão de frente.


                                             
Jornal O Globo - 4 de março fr 2003


 

Viradouro brilha com o enredo 

em homenagem à Bibi Ferreira



 
Segunda-feira, 03 de março de 2003 - Estadão

 


Rio de Janeiro - Com um show da bateria, que levantou a platéia da Sapucaí com paradinha e coreografia, a Unidos do Viradouro, quarta escola a entrar na avenida, deverá estar no desfile das campeãs, no próximo sábado, quando as seis primeiras escolas do Grupo Especial voltarão à Passarela do Samba. A Viradouro homenageou a atriz e diretora teatral Bibi Ferreira, de 80 anos, 60 deles dedicados a atividades artísticas.
No final, ela chorou ao descer do oitavo carro alegórico. Muito emocionada, Bibi disse que vai integrar ano que vem a ala da bateria da Viradouro, acatando convite do mestre Ciça, um dos mais conhecidos diretores de bateria de escolas de samba do Rio. "Estou me sentindo dona do mundo. É inimaginável a alegria. Foi tudo muito maior do que eu esperava." Aclamada pelo público dos setores populares, Bibi pediu um lenço assim que terminou o desfile. Para enxugar o suor e lágrimas.
O carnavalesco Mauro Quintaes, exultante, disse que a Viradouro esteve perfeita. Antes da apresentação, o intérprete Dominguinhos do Estácio afirmara que ganharia o carnaval do Rio a escola que errasse menos. Para não fugir à regra, a Viradouro teve problemas.
Talvez o mais grave possa lhe custar pontos no quesito alegoria e adereços. O quarto carro, O Homem de La Mancha, composto por dois moinhos, numa referência à obra clássica de Miguel de Cervantes, passou pela Sapucaí com um deles quebrado.
O imprevisto pode trazer dor de cabeça à escola por uma razão: os dois moinhos deviam girar, nas extremidades do carro. Dessa forma, a falha ficou bem visível e pode comprometer a Viradouro. Outro incidente ocorreu logo no início do desfile. Parte da fantasia do mestre-sala André desprendeu-se exatamente na frente do camarote de um grupo de jurados.
A Viradouro exibiu fantasias bonitas e leves, uma combinação difícil. E teve o mérito de escolher um samba melodioso e forte. A madrinha da bateria, Luma de Oliveira, também foi bastante aplaudida. Ela esteve acompanhada o tempo todo por dois seguranças.
Vários atores e atrizes marcaram presença na homenagem à Bibi, entre os quais Raul Cortez, Mauro Mendonça, Paulo Goulart e Nicete Bruno. Um dos carros mais vistosos era o My Fair Lady, nome do musical adaptado por Bibi e que estreou com grande sucesso em 1964 no País. Todas as alegorias representavam palcos, num relato fiel à trajetória de Bibi.


Silvio Barsetti

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Bibi Ferreira e outros atores do teatro sambam na Viradouro


Por Vanessa Stelzer



RIO DE JANEIRO (Reuters) - Bibi Ferreira entrou no palco novamente. Uma das maiores representantes do teatro brasileiro, ela foi homenageada pela Viradouro, que empolgou o público em um desfile iniciado em grande estilo. A escola trouxe Molière, autor e diretor teatral francês, na comissão de frente e "O Avarento", uma de suas peças mais famosas, no carro abre-alas.

O primeiro carro trazia a representação da peça -- já encenada pelo pai de Bibi, Procópio Ferreira -- e outros importantes artistas da história de nosso teatro, como Paulo Goulart e sua mulher, Nicette Bruno, Rosamaria Murtinho e Ruth de Souza.

Atores famosos não faltaram na escola, no domingo, primeiro dia de desfile do grupo especial do Rio de Janeiro. O consagrado Raul Cortez foi o destaque de um dos carros, ao lado de Gabriel Braga Nunes. Natália Timberg e Rosamaria Murtinho (foto aoa lado)
, Paulo César Grande e Tânia Alves foram as atrações de outras alegorias.

Os demais carros alegóricos representaram outras peças em que Bibi atuou ou dirigiu e momentos importante de seus cerca de 60 anos de carreira, como as novelas de rádio. Além das muitas encenações --feitas por atores amadores--, os carros trouxeram fotos de vários momentos de sua vida. Continuando a volta no tempo, a bailarina Carolina Costa dançou na comissão de frente em meio aos coloridos Molières, representando a Bibi Ferreira menina.

No último carro, "O legado de Procópio Ferreira", a grande estrela da Viradouro veio vestida de colombina. "É uma grande emoção ser homenageada na maior festa do Brasil", disse ela no final do desfile.

Outro destaque da escola foi a madrinha da bateria, Luma de Oliveira, bastante aplaudida pelo público, que desfilou de prata e vermelho. Em uma de suas coreografias, a bateria se curvou, em homenagem à eterna musa do Carnaval e a Bibi.

Mas Luma não foi a única beldade da Viradouro. Ela dividiu as atenções com as atrizes Juliana Paes e Paula Burlamaqui, destaques de carros alegóricos.

Ao entrar na avenida, a Viradouro distribuiu ao público folhetos com seu enredo e bandeiras brancas e vermelhas com seu nome. A estratégia deu certo: a platéia cantou e dançou ao som do enredo "A Viradouro Canta e Conta Bibi, Uma Homenagem ao Teatro Brasileiro".


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