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Bibi
Ferreira surpreende. Ela foge de todos os padrões e
estereótipos comuns aos mitos. Nada da postura
inatingível, dos
arroubos esperados das grandes personalidades. Essa
gigante dos palcos – do alto de seu 1,57 metro,
equilibrado sempre em saltos 15 – revela que tudo
que alcançou em sua magistral carreira foi com
naturalidade e olhar prático diante da vida. “Acredito no fazer bem-feito, mas com simplicidade”,
ensina essa senhora de 87 anos, que atravessou o
século 20 em glória permanente e percorre o século
21 com o mesmo entusiasmo e virtuosismo demonstrados
em espetáculos antológicos como Minha Querida Lady
(de Lerner e Loewe - de 1962 a 1965), Gota d’Água (de
Paulo Pontes e Chico Buarque, em cartaz de 1975 a
1980) e Piaf – A Vida de uma Estrela da Canção (de
Pam Gems, de 1983 a 1999).
A estréia profissional
foi aos 18 anos na Companhia Procópio Ferreira de
Teatro, de seu pai. Até então ela havia conhecido a
ribalta descompromissadamente. Com 24 dias de vida
entrou em cena na peça Manhãs de Sol, no colo de
Abigail Maia – sua madrinha – já que a boneca que
fazia as vezes de bebê sumira da coxia. Aos 3 anos,
acompanhando a mãe, Aída Izquierdo, corista da
Companhia
de Revistas Velasco, participava dos espetáculos.
“Eu não pensava em ser nada, estudava por imposição
da minha mãe: idiomas, piano, violino, violão, balé,
desenho e pintura.” Foi quando o pai teve um
problema financeiro sério no teatro e um amigo
sugeriu que ele fizesse a estréia da filha no palco.
Em 28 de fevereiro de 1941, a atriz protagonizou a
comédia O Inimigo das Mulheres, do autor italiano
Goldoni, no papel de Mirandolina.
De Procópio, um de
nossos maiores atores e diretores, certamente veio o
DNA do talento artístico. Antes mesmo que o termo
multimídia emplacasse, Bibi Ferreira já era uma
profissional plural e versátil, com passagens pelo
cinema, como em O Fim do Rio (1946) e pela
televisão, quando apresentava programas e
teleteatros nas TVs Excelsior, Tupi (anos 1960) e
Globo (anos 1970).
E novamente fugindo da
previsibilidade, Bibi Ferreira revela que seu papel
mais marcante e difícil – em meio a tantas Joanas,
Ediths, Elisas e Amálias inesquecíveis – foi o de um
homem. Em O Noviço, peça teatral de Martins Pena,
encenada em 1952, ela viveu o jovem padre do título,
que se transformava numa velha no decorrer da trama.
Sempre requisitada em sua agenda profissional, a
artista jamais deixou de lado a vida pessoal.
Casou-se muitas vezes e criou sua única filha,
Teresa Cristina, de seu romance com Armando Carlos
Magno, também profissional de teatro. Tina lhe deu
dois netos e dois bisnetos. “Tenho grande orgulho da
minha família.”
Atualmente, Bibi viaja pelo Brasil
com a turnê de Às Favas com os Escrúpulos, comédia
política de Juca de Oliveira, escrita para ela, com
direção de Jô Soares.
Veja
trechos da entrevista
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