HOMENAGEADA

 


Bibi Ferreira


A dama do teatro



A atriz, cantora e diretora de teatro, de óperas e de shows musicais  –  de talento genial que arrebata gerações  –  é a grande homenageada do Prêmio CLAUDIA 2009

 

 

Bibi Ferreira surpreende. Ela foge de todos os padrões e estereótipos comuns aos mitos. Nada da postura inatingível, dos arroubos esperados das grandes personalidades. Essa gigante dos palcos – do alto de seu 1,57 metro, equilibrado sempre em saltos 15 – revela que tudo que alcançou em sua magistral carreira foi com naturalidade e olhar prático diante da vida.                                             “Acredito no fazer bem-feito, mas com simplicidade”, ensina essa senhora de 87 anos, que atravessou o século 20 em glória permanente e percorre o século 21 com o mesmo entusiasmo e virtuosismo demonstrados em espetáculos antológicos como Minha Querida Lady (de Lerner e Loewe - de 1962 a 1965), Gota d’Água (de Paulo Pontes e Chico Buarque, em cartaz de 1975 a 1980) e Piaf – A Vida de uma Estrela da Canção (de Pam Gems, de 1983 a 1999).

A estréia profissional foi aos 18 anos na Companhia Procópio Ferreira de Teatro, de seu pai. Até então ela havia conhecido a ribalta descompromissadamente. Com 24 dias de vida entrou em cena na peça Manhãs de Sol, no colo de Abigail Maia – sua madrinha – já que a boneca que fazia as vezes de bebê sumira da coxia. Aos 3 anos, acompanhando a mãe, Aída Izquierdo, corista da Companhia de Revistas Velasco, participava dos espetáculos. “Eu não pensava em ser nada, estudava por imposição da minha mãe: idiomas, piano, violino, violão, balé, desenho e pintura.” Foi quando o pai teve um problema financeiro sério no teatro e um amigo sugeriu que ele fizesse a estréia da filha no palco. Em 28 de fevereiro de 1941, a atriz protagonizou a comédia O Inimigo das Mulheres, do autor italiano Goldoni, no papel de Mirandolina.

De Procópio, um de nossos maiores atores e diretores, certamente veio o DNA do talento artístico. Antes mesmo que o termo multimídia emplacasse, Bibi Ferreira já era uma profissional plural e versátil, com passagens pelo cinema, como em O Fim do Rio (1946) e pela televisão, quando apresentava programas e teleteatros nas TVs Excelsior, Tupi (anos 1960) e Globo (anos 1970).

E novamente fugindo da previsibilidade, Bibi Ferreira revela que seu papel mais marcante e difícil – em meio a tantas Joanas, Ediths, Elisas e Amálias inesquecíveis – foi o de um homem. Em O Noviço, peça teatral de Martins Pena, encenada em 1952, ela viveu o jovem padre do título, que se transformava numa velha no decorrer da trama.

Sempre requisitada em sua agenda profissional, a artista jamais deixou de lado a vida pessoal. Casou-se muitas vezes e criou sua única filha, Teresa Cristina, de seu romance com Armando Carlos Magno, também profissional de teatro. Tina lhe deu dois netos e dois bisnetos. “Tenho grande orgulho da minha família.”

Atualmente, Bibi viaja pelo Brasil com a turnê de Às Favas com os Escrúpulos, comédia política de Juca de Oliveira, escrita para ela, com direção de Jô Soares.

 

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Agenda 2009