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6. O fim
Dia 10 de outubro de 1963: "Eram duas e meia da manhã, quando a enfermeira se aproximou da cabeceira de sua doente. Ela parecia estar dormindo. A respiração estava normal, mas o rosto reassumira a cor marfim, característica dos comas hepáticos. O lençol afastado e a camisola erguida descobriam uma mancha escura na altura do baço. Hemorragia interna. A artéria esplênica rompera-se. O médico foi chamado mas não pôde fazer nada mais. Edith Piaf estava morrendo. Um magnetizador que a ajudava a adormecer jazia em suas mãos. Por volta do meio-dia, o médico retornou e foi embora, resignado. A não ser por um milagre... Às 13:30horas ela abriu os olhos, procurou erguer-se e recaiu, morta"... (9)
"Edith Piaf morreu duas vezes. Já estava sem vida, há várias horas, quando uma ambulância chegou e o corpo foi removido às pressas. Os jornalistas, postados nas imediações, pensaram tratar-se de mais uma internação. Este era justamente o efeito que se buscava.
Quando a fraude foi revelada, os responsáveis, notadamente a enfermeira Margantin, invocaram como nobre motivo o último desejo de Piaf: ‘Quero morrer e ser enterrada em Paris, em meu túmulo do Père-Lachaise, junto com a minha filhinha e meu pai’.
A despeito de sua devoção, foram negados à Piaf, divorciada, os serviços fúnebres religiosos. O Observatório Romano, órgão do Vaticano, a acusava de ter vivido em estado de pecado público. O arcebispo de Paris foi menos rigoroso: ‘Se as honras da Igreja não lhe podem ser prestadas’ - ele comunica – ‘ o capelão do teatro e da música virá ao cemitério para rezar pela artista’. A título particular, um prelado de Nice, Monsenhor Martin, foi benzer o corpo poucas horas antes do sepultamento.
Já era segunda-feira, 14 de outubro de 1963."(10) Entre 10 e 11 horas, o cortejo fúnebre atravessou Paris, transformada em multidão para dizer adeus à Piaf. "Calou-se a cotovia da França"... "alguém que viveu sua vida com base na máxima Non, je ne regrette rien"... Não me arrependo de nada... (11)
(9) (10) "Piaf Biografia" - Pierre Duclos e Georges Marin – Ed. Civilização Brasileira (11) "A lendária Edith Piaf" (Gordon Lorenz) |
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Música: "Non, je ne regrette rien" (de Michel Vaucaire e Charles Dumont)
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