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Desta vez,
uma curta ligação com Douglas Davies, um pintor americano de 23 anos.
Após outro acidente de
carro, ao descobri-la um ser humano mortal e dependente da morfina, ele
fugiu.
Neste mesmo ano, Piaf começou
outra relação amorosa, desta vez com o compositor francês Georges Moustaki (3).
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Ele compôs muitos sucessos de
Piaf, entre eles "Milord", canção escrita em colaboração com
Marguerite Monnot, leal amiga de Piaf, e que seria seu primeiro sucesso no New
Musical Express, a lista inglesa dos discos mais vendidos.
"Milord" também
conquistou expressivo sucesso na Itália, Alemanha e Holanda.
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Estamos em setembro de 1958.
Piaf e Monnot sofreram um grave
acidente de carro, o que debilitou, ainda mais, a saúde da cantora..
Poucos meses após, de volta ao
palco, Piaf desmaiou no meio de um espetáculo em NY. Foi hospitalizada e
submetida a uma cirurgia de emergência.
Indiferente aos conselhos dos
médicos e amigos, Piaf se recusava a abandonar os palcos, embora voltasse a
desmaiar em meio aos espetáculos, por repetidas vezes.
Em 1960, vamos encontrá-la ao
lado do jovem compositor Charles Dumont, autor da canção de maior sucesso da
carreira de Piaf : "Non, je ne regrette rien".
Na letra, onde faz uma
reflexão sobre sua própria vida, ela estampou toda a sua emoção. Ao
cantá-la pela primeira vez, em um grande concerto no Olympia, seu desempenho
foi considerado um dos maiores de todos os tempos.
Theophanis Lamboukas, um jovem
grego, cabeleireiro de senhoras num salão familiar, ela conheceu no verão de
1961. Edith sempre apreciou rapazes com sensibilidade feminina.
No final do inverno, internada
no Hospital Ambroise Paré com broncopneumonia, Edith recebeu a visita de Théo. Ele presenteou-a com uma boneca grega e o gesto emocionou Edith.
Ao deixar o hospital, ela
passou a ensinar o jovem a cantar e lhe deu um nome artístico, Sarapo, que em
grego significa "eu te amo".
A juventude e vitalidade de
Théo despertaram em Piaf um novo ânimo e ela voltou ao trabalho e às
gravações.
Sarapo foi seu último marido e
também seu último pupilo.
Juntos gravaram "A quoi
ça sert l'amour", que vendeu inúmeros discos, em meio à onda do ie-ie-ie.
Estamos em julho de 1961.
A crítica francesa concedeu à
Piaf o "Prix du disque de l'Académie Charles-Cros", por sua
importante contribuição à música francesa.
Setembro de 1962: Piaf retornou
ao tradicional Olympia de Paris, para sua última série de concertos naquela
casa.
Em 25 de setembro, compareceu,
como convidada de honra, à estréia internacional do filme "O mais longo
dos dias" (The longest day ).
Nessa ocasião, cantou seus
maiores sucessos, aplaudida por um público numeroso que incluía personalidades
de todas as esferas sociais.
Dias após, 9 de outubro,
casou-se com Théo Sarapo, numa cerimônia ortodoxa particular.
Piaf estava com 46 anos e Théo
com 23.
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Comentários
acerca da diferença de idade não faltavam, ao que Piaf respondeu,
certa vez, com bom humor:
"Aí está: com
freqüência, fui censurada por estar mal penteada. Uma vez que me
apaixonei por um rapaz cabeleireiro, eu não ia perder tal
oportunidade".....e concluiu: "Não se pode exigir que Piaf
siga determinada lógica. Amo Théo, Théo me ama, nós nos amamos, esta
é a única lógica que eu conheço, é o único verbo que eu sei
conjugar de cor e em todos os tempos e é por isso que vamos
casar".
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Mas, a realidade era diferente:
segundo Louis Barrier , testemunha do casamento, ela queria recuar, mas,
rendeu-se ao argumento de que o público interpretaria sua desistência como uma
manifestação de seu temperamento instável.
"Tanto tempo depois, não
acredito estar magoando ninguém ao divulgar que, entre ela e Théo, já não
havia mais nada. ‘ No que me diz respeito, está acabado há um bom tempo’
confessara para mim. Ela se casou porque diante da imprensa, diante do público
e talvez também diante de Théo, que ela arrastara para esse negócio, era
demasiadamente tarde para recuar".(7)
Fevereiro de 1963 - o cenário
musical era muito diferente daquele que Piaf conhecera .
Não era fácil, para os
artistas que se consagraram antes dos anos 60, vender seus discos e encontrar
sucessos, já que os autores e compositores davam preferência aos cantores mais
novos.
Com Piaf não foi diferente.
Numa espécie de jogo mórbido,
ela alimentava os jornais com entrevistas sensacionalistas pelas quais cobrava
muito caro e onde expunha, como em desafio, sua própria decadência, sua
"morte ao vivo".
Talvez precisasse de dinheiro.
Talvez estivesse apenas satisfazendo uma desconcertante inclinação para a
provocação...
Março de 1963 : nos últimos
dois dias do mês, Edith e Théo se apresentaram no famoso palco da Ópera de
Lille.
Triste surpresa: a grande Piaf,
resfriada, cantou diante de um público reduzido, "decepção e afronta
que não pode ser explicada, por si só, pela greve de transportes coletivos que
paralisava a capital do norte do país. E que tristeza suplementar, se ela
tivesse sabido que era ali e dessa maneira que se apresentava o ato final de sua
carreira"....(8)
De volta a Paris, o médico
prescreveu descanso.
Piaf estava sem forças, mas,
mesmo assim, não cancelou a turnée pela Alemanha, apesar dos conselhos
profissionais.
Em 7 de abril ela apresentou
uma ligeira melhora e ensaiou "L'Homme de Berlin", uma canção feita
para a Alemanha.
Mas, a 10 de abril, chegou,
semi-inconsciente, à Clínica Ambroise-Paré de Neuilly-sur-Seine.
Quarenta e oito horas após a
internação, Piaf mergulhou em coma hepático. Durante as semanas seguintes, o
marido e a enfermeira testemunharam longos delírios.
"Entre a vida e a morte,
Edith Gassion canta ainda as melodias do tempo recente em que era Piaf".
Frágil, convalescente, mas
impulsionada por um instinto de conservação fora do comum, ela saiu do
hospital e passou uma temporada no litoral, em Cap Ferrat, instalada em La
Serena, uma mansão com vinte e cinco cômodos, piscina e praia, alugada por 50
mil francos, por um período de 2 meses.
No final de junho, entrou
novamente em coma hepático.
Vencida a crise, ela se sentia
muito fraca, mas, manifestou intenso desejo de rever aqueles com quem convivera
ao longo de sua carreira.
Jacques Bourgeat, Henri Contet,
Michel Émer, Raymond Asso, Charles Aznavour, todos atenderam ao seu chamado.
Em 1° de agosto, Edith e seu
séquito partiram para a Gatounière, menos ampla, menos dispendiosa e -
recomendação médica por causa do reumatismo - mais afastada do mar.
Seguiu-se nova internação e
mais tratamentos.
Como medida de economia, Edith
transferiu-se para Enclos de la Rorrée, uma herdade de Plascassier, no planalto
de Grasse. Com ela ficaram somente o casal Bonel (Marc Bonel que foi seu
acordeonista e sua esposa, Danièle Bonel, ex-secretária e governanta da casa
de Piaf), a enfermeira e o marido.
Uma cura estava fora de
cogitação. O fígado estava por demais enfraquecido e ela pesava apenas 34
quilos.
Aos quarenta e oito anos, Piaf
aparentava ter mais de sessenta - a vida desregrada, as doenças e muito
sofrimento haviam lhe cobrado um alto preço.
Na quarta-feira, 9 de
outubro, dia do aniversário de casamento com Sarapo, vertigens e calafrios
obrigaram-na a ficar na cama até a hora do almoço.
Voltou a deitar-se pouco
depois, e não voltaria a descer mais...
6.
Edith Piaf - o fim
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3. "La Môme Piaf"
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4. Edith Piaf - sucesso e amor
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(7) (8) "Piaf Biografia" - Pierre Duclos e Georges Marin – Ed. Civilização
Brasileira
(3) Quando Bibi Ferreira, a
grande dama do teatro brasileiro e inigualável intérprete de Piaf, se
apresentou em Paris, em julho de 2000, Georges Moustaki, o autor de "La
Foule", esteve presente na platéia.