4. Edith Piaf - sucesso e amor

 

"La Môme Piaf", o nome artístico, foi abandonado em 1937 quando ela passou a se apresentar como Edith Piaf.

Mais gravações, mais sucessos !

No Le Bobino, famosa casa parisiense, ela se apresentou como estrela do espetáculo, ao lado de Jean Granier.

Piaf conquistara a Rive Gauche e iria conquistar muito mais!

Sua meta agora era o ABC, o music hall parisiense de maior prestígio e  ela conseguiu atingir esse objetivo, graças a Raymond Asso.

O sucesso aumentou a venda de seus discos e diversificou sua agenda: gravações, apresentações nos palcos parisienses, participações em programas de rádio, turnês pelo interior e pela Bélgica, além do cinema, onde apareceu em "La garçonne".

Mas, era preciso manter o andamento.

Naquela época, discos e apresentações em rádio não eram o suficiente. Era no palco, cantando sem microfone, que se ganhava e conservava a aprovação do público.

Em setembro de 1939, estourou a guerra. Asso foi mobilizado.

Michel Emer, um jovem que ela conhecera nos corredores da Radio Cité, entregou-lhe a canção "L'accordéoniste", que ela transformou num enorme sucesso.

 Em 1940, Edith conheceu o ator francês Paul Meurisse, um homem elegante e reservado, com quem teve um romance que durou 2 anos. Com ele aprendeu como portar-se em sociedade e aprimorou sua educação.

Asso continuava na guerra e Edith se instalou, com Meurisse, no número 10 da Rua Anatole de la Forge, seu primeiro apartamento, pois, até agora, morara em hotéis.

 

A foto ao lado mostra a Av. Junot.

Piaf residia lá, no Hotel Alsina, quando   conheceu Paul Meurisse. 

 

* Foto reproduzida do site 

http://www.little-sparrow.co.uk/

              

* Foto reproduzida do site http://www.little-sparrow.co.uk/

 

De moleca de rua, ela se transformou na "queridinha da elite intelectual francesa" e tornou-se amiga íntima do famoso dramaturgo e diretor de cinema, Jean Cocteau.

Edith e Meurisse apresentaram-se no Bobino, antes de montar, no teatro, "Le bel indifférent", que Cocteau escreveu especialmente para eles, um espetáculo no qual Piaf revelou um enorme talento para o palco...

Após este notável êxito no teatro, o casal protagonizou "Montmartre sur scène."

No set de filmagens de "Montmartre...", o romance acabou e Edith iniciou um novo relacionamento, com Henri Contet, um talento promissor, que escreveu muitas letras dos sucessos seguintes da cantora, entre elas, "C'est merveilleux" 

Eles se conheceram durante as filmagens de "Montmartre..."onde ele, jornalista do "Paris-Soir" e do "Ciné Mondiale", trabalhava como assessor de imprensa.

Em 1942, durante a Ocupação, Edith mudou-se, com Momone, para a Rua de Villejust 5. 

No mesmo prédio, Madame Billy instalara "L'Etoile de Kléber", uma famosa e discreta casa de "rendez-vouz", criada por ela em 1941. 

Ali Edith permaneceu até 1944, tendo como amante o pianista judeu Norbert Glanzberg. Teria sido amor ou pura provocação?

Neste 1942 ela gravou "Le Vagabond", título refeito 4 vezes, um record.

As gravações continuavam: "Simple comme bonjour", "Tu es partout", "Un coin tout bleu", "C'était une histoire d'amour" entre outras.

Piaf prosseguiu em sua carreira durante a Segunda Guerra, contratando, nessa época, músicos judeus para acompanhá-la em turnê.

Em 1944, aos 29 anos, no auge da fama em seu país, ela começou a usar seu prestígio e impulsionar o lançamento de novos talentos.

No verão de 1944, Edith conheceu um jovem cantor de Marselha - Yves Montand.

 

Yves Montand

Refém do charme tranqüilo e do jeito de astro de cinema  de Montand, ela se apaixonou, roubando tempo de sua própria carreira para dedicar-se à carreira dele.

 

Desta vez, ela era "pigmalião": ajudou-o a ensaiar seus números, aconselhou-o quanto ao corte de cabelo, figurinos de cena e também a deixar de lado o seu personagem cowboy. Também convenceu Henri Contet a escrever novo material para as apresentações de Montand.

Em 1945, ela e Montand formaram a famosa dupla no filme de Marcel Bilstène, "Etoîle sans lumière".

O tempo passou....

As canções nem sempre eram sucesso. Ela trocou a gravadora Polydor pela Pathé .

O romance com Montand, que perdera a docilidade que tanto a encantara, acabou.

 

 

Em 1946, na Comédie Française, Piaf conheceu os "Les Compagnons de la Chanson", e vislumbrou neles um enorme talento.

 

 

 

Les Compagnons de la Chanson

O grupo era contratado da Pathé, que resolveu investir nele e ao mesmo tempo relançar a carreira de Edith, naquele momento em declínio.

Juntos gravaram "Dans les prisons de Nantes", "Le roi a fait battre tambour" e "Le trois cloches", que fez sucesso em toda a França, vendendo milhares de discos.

Ela então convidou os "Compagnons" para acompanhá-la em sua primeira turnê americana, no ano seguinte.

Em outubro de 1946 Edith gravou, pela Pathé, "Je m'en fous pas mal", "Mariage", "Un refrain courait dans la rue" e um dos seus maiores sucessos mundiais, a inesquecível "La vie en rose", assinada por ela e Louiguy.

Marianne Michel fora a primeira a interpretar a canção, que se tornou um sucesso retumbante, na voz de Piaf.

A turnê pelos EUA não foi bem-sucedida.

Sucesso na França, o estilo melodramático de Piaf não agradou aos americanos que não prestigiaram suas primeiras apresentações, no cabaré PlayHouse, em NY.

Desanimada, ela chegou a pensar em retornar à Europa, mas, mudou de idéia, quando um importante jornal novaiorquino fez referências altamente elogiosas ao seu desempenho. Além do mais, sua derrota, nos EUA, seria considerada uma derrota também da França.

Edith decidiu ficar, disposta a conquistar a simpatia da platéia americana.

Contratada por uma semana pelo Versailles, um cabaré elegante de Manhattan, ela finalmente conseguiu a rendição do público ao interpretar "Milord", "à l'américaine", como dizia.

Celebridades foram assisti-la: Jean Sablon, Marlene Dietrich, Charles Boyer, Henry Fonda, Orson Welles, Judy Garland, Bette Davis, Barbara Stanwick... uma lista infindável.

Sua temporada no Versailles foi prolongada: de uma semana, para quatro meses.

Edith Piaf acabara de realizar um sonho: tornar-se uma estrela reconhecida e aplaudida dos dois lados do Atlântico!

Ela voltou muitas vezes aos EUA para outros concertos de sucesso.

Foi em New York que Piaf conheceu Marlene Dietrich, uma amizade que durou toda a sua vida, e Marcel Cerdan, o pugilista, por quem se apaixonou.

Perante o público, ela procurava manter o romance apenas na esfera da "grande amizade".

Marcel era casado, tinha filhos, e isto constrangia Piaf.

Mas, manchetes internacionais logo revelaram o romance da "Rainha da Música Francesa" e do "Rei do Ring".

Para os jornais, um romance perfeito, um "caso empolgante"!

Lucien Roupp, treinador de Marcel, e Antoine Cerdan, irmão do lutador, pensavam diferente.

O primeiro achava que Edith monopolizava demais o pugilista, tomando-lhe mais tempo do que seria desejável : "As noitadas acabavam tarde e Marcel dormia pouco." declarou ele.

 

Para Antoine, Edith roubava Marcel do convívio da família, residente em Casablanca, África.

As desavenças logo seriam exploradas pelo sensacionalista "France-Dimanche": "Piaf dá azar a Cerdan", numa referência a uma derrota sofrida por Cerdan e à constante presença da cantora na vida do lutador.

Mas, "a profissão e a paixão pela canção faziam valer seus direitos e o escândalo não alterou o crescente brilho daquela que Jean Cocteau chamava de Madame Piaf. Pelo contrário. Todo o público tinha para Edith os olhos de Marcel. Ele a achava formidável. O público achava ambos formidáveis: o gentil e soberbo campeão, arrancado pela glória do seu Marrocos natal e a alegre e comovente cantora, tirada da rua pelo milagre de sua voz incomparável.

O que sua relação tinha de ilegal, o fervor popular legitimou."(5)

Marcel era um homem de maneiras simples, mas, emocionalmente estável e proporcionava a Edith uma segurança que ela jamais encontrara.

Em 14 de outubro de 1948, pela primeira vez, uma canção de Piaf estava nas paradas de sucesso da Inglaterra: era "Take to your heart again", adaptação de Frank Eyton para "La vie en rose".

Ela parecia afinal ter encontrado a felicidade!

A Marcel Cerdan dedicou um de seus mais belos clássicos: "L'hynne à l'amour", canção escrita em parceria com a compositora francesa Marguerite Monnot.

Apresentada pela primeira vez no Versailles, "Hino ao amor" possui algo de premonitório:

" Si un jour, la vie t'arrache à moi,

Si tu meurs, que tu sois loin de moi

Peu m'importe, si tu m'aimes,

Car moi, je mourrai aussi...."

 

"Se um dia, a vida te arrancar de mim,

Se morreres, se ficares longe de mim

Que me importa, se me amas,

 Porque eu morrerei também."...

 

O infortúnio acompanhava  Piaf... e na vida, aconteceu diferente do final da canção: "Deus reúne aqueles que se amam"...

Em outubro de 1949, ela estava em New York. Marcel iria encontrá-la, após um série de lutas em benefício de pugilistas inválidos.

Sozinha e saudosa, ela pediu que ele tomasse um avião, em vez de um navio que demoraria uma semana. Marcel argumentou...ela insistiu...

Esta foi a última vez que se falaram.

O avião, um Constellation, caiu nos Açores.

Edith recebeu a notícia poucas horas antes de uma apresentação, no Versailles.

Subindo ao palco, ela calou os aplausos com um gesto e repetiu para a platéia o que já dissera aos amigos: "Hoje à noite, canto para Marcel Cerdan, em sua memória, unicamente para ele".

Ao final da quinta música, Piaf desmaiou.

Os jornais do dia seguinte trouxeram de volta a dor da realidade: "Eu o matei", repetia ela...

Edith Piaf não pôde comparecer nem no dia seguinte, nem nos três dias posteriores ao palco do Versailles.

À insuportável dor da perda, juntou-se uma intensa dor física, provocada pelo reumatismo, que se manifestava pela primeira vez, e exacerbada por uma reação orgânica à brutalidade do choque que sofrera.

Incapacitados de remover a causa, aos médicos restou a alternativa de combater os efeitos. Prescreveram morfina, o mais poderoso calmante disponível na época.

"É mister sobretudo lembramos que, se a lenda de uma Piaf drogada e parecida com um camafeu encontra aqui a sua origem, isso se deu a princípio por confusão entre toxicomania e prescrição médica. Depois, por ignorância: com a repetição dos sintomas, o uso medicamentoso transformar-se-ia em abuso." (6)

Piaf nunca se recuperou dessa perda. Cerdan foi seu grande amor...

Durante algum tempo refugiou-se na esperança de conseguir fazer contato com Marcel - participava de sessões espíritas, ficando à mercê de pessoas inescrupulosas que queriam explorá-la financeiramente.

Atitudes intempestivas, por vezes radicais, revelavam o turbilhão que lhe ia na alma.

Certa vez, indiferente à preocupação que despertara nas pessoas que a rodeavam, trancou-se durante muito tempo no banheiro:

"Assim, nunca mais serei como antes", disse ao sair, exibindo um novo e horrendo visual - apenas um topete de caracóis curtos, no alto da cabeça.

 

 

Obcecada por sua culpa, mandou instalar Marinette Cerdan (esposa de Marcel) e seus filhos, no palacete de Boulogne.

"Ela transformou seu adultério em uma família numerosa", escreveu sua biógrafa Monique Lange.

 

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(4) (5) (6)  "Piaf Biografia" - Pierre Duclos e Georges Marin – Ed. Civilização Brasileira


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Música: "Hymne à l'amour" (M.Monnot e E.Piaf) - voz de Edith Piaf

 

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