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"Bibi num flagrante de Dolly, em grande gala,luzindo lantejoulas e cetins, no requinte do século dourado. É Dolly "mesmo", perfeita em sua caracterização.Nada faltou para a autenticidade da personagem." |
Alô Dolly!
Texto de Paulo Salgado Fotos de Emérito
Revista Querida - abril de 1966 |
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| Disseram-nos
que Bibi Ferreira, pelo menos inicialmente, não queria ser Dolly Levi.
Se isto é verdade, fazemos questão de iniciar este nosso comentário
prestando uma homenagem toda especial a esta grande atriz, que soube
ser, com graça, leveza,com acerto e alegria, a deliciosa personagem
criada originalmente por Thornton Wilder e musicada por Jerry Herman. Raramente temos visto uma atriz comunicar tão rapidamente seu
persomagem à platéia como Bibi nessa peça que, em boa hora, Victor
Berbara resolveu montar no quase ressuscitado Teatro João Caetano... o
"quase" fica por conta da falta de ar refrigerado.
Até ver "Minha querida lady" o carioca não sabia o que fosse uma comédia musical. Embora estivesse familiarizado com as versões cinematográficas de vários sucessos da Broadway, não sabia o que fosse ver, nos limites do palco, uma comédia musicada onde a partitura, as canções, entrassem naturalmente, os bailados fossem funcionais, magnificamente bem marcados e melhor ensaiados. |
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Esta a razão pela qual "Minha querida lady" produziu um impacto violento, marcante, definitivo, que dificilmente será esquecido. E por tudo isso, muita e muita gente que vai ver "Alô Dolly!", resolve compará-la com o primeiro sucesso do produtor Berbara. Tolice...rematada tolice... "Alô Dolly!" é mais espetáculo do que "My fair lady", é mais comédia musical, é mais movimento, é mais inovação - e principalmente - é o veículo de uma das mais belas canções ouvidas nestes últimos anos, na verdade, a mais bela canção destes últimos dez anos, aquela que dá o nome à peça. Depois de Bibi Ferreira, fazemos questão de salientar - nome por nome - o corpo de baile masculino da peça. Os rapazes estão fabulosos, e repetem - graças aos cuidadosos ensaios de Lorwell Purvis - as proezas de seus colegas americanos. O "galope dos garçons" é algo admirável, um misto de ginástica, acrobacia e partitura "tocada" com pés ágeis, quase alados.
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"Paulo Fortes - como o milionário - sofre o assédio da casamenteira,que se reserva a parte do leão. O dueto vivo, espirituoso, traz de volta melodia bela, inesquecível." |
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Dolly-Bibi - elegantemente trajada à moda da época - é sucesso garantido. Atriz consciente, capaz de integra-se em qualquer personagem, merecedora de nossos aplausos. |
O
número que acabamos de citar, "regido" com muita graça por
Milton Carneiro, é o mais aplaudido da peça. O público delira e os
artistas que o executam chamam-se Antônio Carlos Abbot, Alfredo
Garibaldi, Gabriel Saba, Pedro josé Bisch, Alberto Ribas, os excelentes
Jonas Moura, Angelo Moritz e Lédio da R. e mais Tony Miller, um rapaz
que se quiser estudar muito poderá ter o nome consagrado na musical
comedy brasileira. Um louvor todo especial a Fernando Azevedo, primeiro
bailarino e coreógrafo, que finalmente encontrou uma oportunidade à
altura do seu talento.
Não havia, no nosso mundo teatral, outro artista que pudesse viver com tanta correção Horatio Vandergelder a não ser o barítono Paulo Fortes. Só podemos expressar nossa admiração ao belo trabalho do grande intérprete de "Falstaff" dizendo: Obrigado, Paulo Fortes, continue a dar ao teatro musicado este seu grande talento histriônico e esta belíssima voz! Paulo Fortes, depois de ter conquistado o público de ópera e de televisão, vai tomar de assalto as platéias dos musicais. É bom ver um artista de tanta classe no tradicional Teatro João Caetano. |
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Quem conhece os hábitos e maneirismos dos norte-americanos sabe que "matuto" de lá é igualzinho ao de cá nos seus modismos, na sua postura e maneira de falar, ressalvados, é lógico, as diferenças idiomáticas. Assim, amplos louvores aos trabalhos de Hilton Prado e Augusto Cesar. Eles sabem ser, com muito acerto, Cornélio Hackel e Barnabé Tucker. Outro louvor a Marly Tavares - sua Minnie Fay é engraçada, leve e adequada ao tipo de farsa que Gower Champion imprimiu ao personagem. Outra que se sai muito bem no tipo-farsa é Alda Marina, a querida La Rana, que parece ter encontrado finalmente um veículo adequado para sua versatilidade. Para aqueles que alimentam alguma dúvida se "Alô Dolly!" é ou não um bom espetáculo, e se a nossa querida Bibi Ferreira é ou não Dolly Levi, transmitimos as opiniões de diversas pessoas que viram o espetáculo na América do Norte (com Julie Andrews, Ginger Rogers e Beth Grable) e que acham que o trabalho da filha de Procópio nada fica a dever ao de suas colegas americanas. |
Parte do elenco que concorre para o êxito do musical. Augusto César - na extrema esquerda - é figura marcante que se impõe ao público, nas cenas movimentadas a pedirem maleabilidade. |
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| Quanto
ao espetáculo em si, fazemos nossas as palavras de um norte-americano
que assistiu o espetáculo dedicado à crítica e que, por ocasião da
ovação final que coroou o trabalho de três centenas de pessoas na
noite de 17 de março no João Caetano, aplaudindo, murmurava
entusiasmado: Damm...good!
- na verdade - "Alô Dolly!" é bom pra chuchu!
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