Bibi Ferreira, como sempre esplendorosa (Foto: Willian Aguiar)

 

Deolinda Vilhena
De São Paulo (SP)

 

Estão abertas as comemorações dos 70 anos de carreira de Bibi Ferreira. Na noite de quarta-feira, 13 de outubro, a platéia que quase lotava - pecado mortal - o Teatro Bradesco, um dos mais imponentes dessa capital presenciou uma comovente apresentação desse fenômeno que atende pelo nome de Bibi Ferreira, ainda que, na certidão de nascimento conste Abigail Izquierdo Ferreira. Hoje e amanhã será a vez dos cariocas, Bibi sobe mais uma vez ao palco do Canecão, casa da qual ela é a madrinha, para mostrar De Pixinguinha a Noel, passando por Gardel.

Conheço a trajetória de Bibi como poucas pessoas e posso afirmar que depois de Bibi in concert 1 - com o qual comemorou seus 50 anos de carreira e deu início aos concertos que revelaram que sua paixão é a música e não a comédia - esse é seu melhor espetáculo.

E afirmo isso depois de ver mais uma vez - a história sempre se repete - Bibi estrear sem ensaiar. Foi um espetáculo de superação. Quando se pisa no palco daquele teatro e se olha a platéia, o susto é inevitável. Menos para Bibi. Capaz de encarar todos os problemas técnicos sem perder o rebolado e, mais do que isso, sem deixar que a platéia suspeitasse. Bibi tinha como cúmplices dois naipes de músicos da maior qualidade, além da sua banda brasileira - com destaque para a acordeonista Irene Mutanen que há 27 anos acompanha Bibi - havia ainda a orquestra argentina El Arranque, verdadeira exuberância de ritmos e talentos.

Cantou MPB, de samba de breque a bossa nova, cantou tangos e milongas, cantou fados de uma maneira capaz de comover a própria Amália Rodrigues, como certamente comoveria Piaf ao cantar o seu repertório...aliás, ao falar de Piaf, Bibi arranca risos do público: "há 27 anos vivo as custas de Edith Piaf". Mentira, Bibi, você foi a maneira que Piaf encontrou de continuar cantando.

Não posso deixar de registrar o comportamento do público brasileiro. Pelo menos em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e agora São Paulo constatei um fenômeno extremamente desagradável. Ao final do espetáculo o público aplaude de pé, e de repente vai embora, como se corresse para não enfrentar a fila do estacionamento. Não há muitas vezes tempo para um bis. Depois de anos freqüentando os teatros parisienses, onde já vi 18 cortinas, é com tristeza que constato que a falta de respeito e a falta de educação também são assíduas freqüentadoras dos nossos teatros. Dez minutos de aplausos para Bibi Ferreira ainda não seriam suficientes para agradecermos tudo o que ela fez, faz e fará pelo teatro brasileiro.

Parabéns minha Bi...logo, logo hão de começar as comemorações dos 90 anos de vida...que é tudo o que posso desejar a você, vida...muita vida.

 

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