Bibi Impecável, para poucos
 
Diário de Pernambuco

Publicado em 20.05.2010

 
 
Bobby Fabisak
 

 
Bibi impecável, para poucos


Com Carinhoso, de Pixinguinha, Bibi Ferreira abriu o show em homangem aos 160 anos do Teatro de Santa Isabel. Emendou com Chão de estrelas, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa.
Artista levou ao palco clássicos da música brasileira, acompanhada da OSR. Foto: Marcelo lyra/Olhonu
E antes disso contou que Vinicius de Moraes invejava os versos da música. Ela também levou a letra da Canção do exílio para a sonoridade do Samba de uma nota só. Absolutamente afinada com os músicos da Orquestra Sinfônica do Recife, Bibi Ferreira soltou sua pontente voz em fados portuguesas, tangos argentinos e chansons françaises, além de pérolas da MPB. Brincou que há 27 anos vive às custas de Piaf, fazendo alusão ao trabalho desenvolvido sobre vida e obra da estrela francesa.

Bem-humorada, senhora absoluta de si e da plateia, no palco de Santa Isabel estava um patrimônio vivo da cultura nacional. Brincou que o público estava acanhado para acompanhá-la numa das peças do repertório. A plateia, na primeira apresentação formada pelos convidados da Prefeitura do Recife, apesar de calorosa, não era das mais entusiasmadas. Além disso, somente pouco mais da metada dos assentos estavam ocupados, ou seja, cerca de 400 sortudos. Algo bem diferente do que deve ter ocorrido ontem, pois todos os ingressos disponíveis foram vendidos.

O show foi realmente lindo e para poucos. Bibi cantou Gota d'água e Basta um dia, fez uma homenagem a Noel Rosa, cantou e contou histórias de Piaf. Ao final, a noite de gala prosseguiu com um coquetel servido em frente ao Santa Isabel, na Praça da República, diante do Campo das Princesas, debaixo de um toldo que simulava o glamour da ocasião. Uma festa elitista, carregada de certa tristeza, faltando a alegria de uma confraternização popular, para um monumento do povo.
 
 

 

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