Bibi impecável, para poucos
Com Carinhoso, de Pixinguinha, Bibi Ferreira
abriu o show em homangem aos 160 anos do
Teatro de Santa Isabel. Emendou com Chão de
estrelas, de Sílvio Caldas e Orestes
Barbosa.
Artista levou ao palco clássicos da música
brasileira, acompanhada da OSR. Foto:
Marcelo lyra/Olhonu
E antes disso contou que Vinicius de Moraes
invejava os versos da música. Ela também
levou a letra da Canção do exílio para a
sonoridade do Samba de uma nota só.
Absolutamente afinada com os músicos da
Orquestra Sinfônica do Recife, Bibi Ferreira
soltou sua pontente voz em fados
portuguesas, tangos argentinos e chansons
françaises, além de pérolas da MPB. Brincou
que há 27 anos vive às custas de Piaf,
fazendo alusão ao trabalho desenvolvido
sobre vida e obra da estrela francesa.
Bem-humorada, senhora absoluta de si e da
plateia, no palco de Santa Isabel estava um
patrimônio vivo da cultura nacional. Brincou
que o público estava acanhado para
acompanhá-la numa das peças do repertório. A
plateia, na primeira apresentação formada
pelos convidados da Prefeitura do Recife,
apesar de calorosa, não era das mais
entusiasmadas. Além disso, somente pouco
mais da metada dos assentos estavam
ocupados, ou seja, cerca de 400 sortudos.
Algo bem diferente do que deve ter ocorrido
ontem, pois todos os ingressos disponíveis
foram vendidos.
O show foi realmente lindo e para poucos.
Bibi cantou Gota d'água e Basta um dia, fez
uma homenagem a Noel Rosa, cantou e contou
histórias de Piaf. Ao final, a noite de gala
prosseguiu com um coquetel servido em frente
ao Santa Isabel, na Praça da República,
diante do Campo das Princesas, debaixo de um
toldo que simulava o glamour da ocasião. Uma
festa elitista, carregada de certa tristeza,
faltando a alegria de uma confraternização
popular, para um monumento do povo.