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O espetáculo “Bibi in concert IV” estreou, no dia 5 de agosto, a programação de reinauguração do Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro. No show, Bibi Ferreira revisita vários momentos dos seus 70 anos de carreira como atriz, cantora e diretora teatral ao contar histórias inéditas de sua vida e trajetória profissional, que costura com canções que a acompanham há décadas. Aos 89 anos, completados em 1° de junho, Bibi Ferreira mantém um vigor único e especial. Sua voz, absoluta, impressiona a todos pela perfeita afinação e interpretação. No repertório, entre os compositores brasileiros, Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Dolores Duran, Maysa, Noel Rosa, Adriana Calcanhoto, Sérgio Ricardo e Cazuza. Nas canções estrangeiras, Bibi passeia por Jerome Kern, Oscar Hammerstein, Leonard Bernstein, Stephen Sondhein, George Gershwin, Alan Jay Lerner, Frederic Loewe, Mitch Leigh, Joe Darion, Lorentz Hart e R. Rodgers. Também não poderiam faltar as canções de Edith Piaf, que marcam a carreira da artista há quase 30 anos. Com Piaf, a vida de uma estrela da canção, apresentado de 1983 a 1990, Bibi Ferreira foi recordista de público em muitos teatros de todo o país. Enorme sucesso de crítica, o espetáculo rendeu à Bibi todos os prêmios de melhor atriz no ano de sua estréia.
Ficha técnica
“Bibi in Concert IV” - 70 anos de histórias e canções
Belo, 'Bibi in Concert IV' reitera que Bibi Ferreira é o espetáculo por si só
Sem qualquer ação dramática, Bibi in Concert IV - 70 Anos de Histórias e Canções - bela sequência da série de recitais estreada em abril 1991 - encadeia canções que, de certa forma, contam a história de Bibi. Dona dessa história gloriosa, a própria Bibi assina a criação e o roteiro do espetáculo com Flávio Mendes e Nilson Raman. Com seu habitual magnetismo, a intérprete atrai todas as atenções da platéia em cerca de uma hora de recital, apresentado com septeto sob a direção musical do maestro e violonista Flávio Mendes. A moldura orquestral realça o tom clássico do repertório. Aberto com By a Waterfall (Sammy Fain e Irving Kahal), doce lembrança da face romântica de Hollywood, o roteiro prossegue com Oh, You Nasty Man (Rat Henderson, Irving Ceasar e Jack Yellen) - número que evoca a era do swing do jazz - e revive na sequência a era dourada do rádio brasileiro e do samba-canção através de medley que aglutina sucessos como Nossos Momentos (Haroldo Barbosa e Luis Reis), Onde Anda Você? (Hermano Silva e Vinicius de Moraes), Nem Eu (Dorival Caymmi), Meiga Presença (Paulo Valdez e Otávio de Moraes), As Praias Desertas (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Eu Sei que Vou te Amar (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Falante, senhora da cena, Bibi se permite a ousadia de encaixar a letra escrita pelo poeta Gonçalves Dias (1823 - 1864) para a Canção do Exílio na melodia criada por Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) para o Samba de Uma Nota Só. E não é que, com Bibi, funciona? Tudo funciona, aliás. Firme na interpretação e no canto, a atriz-cantora se segura bem nas quebradas do samba de breque Minha Palhoça (Se Você Quisesse) - um dos clássicos do repertório de Moreira da Silva (1902 - 2000), mestre do gênero - e mostra que domina bem a linguagem da obra de Noel Rosa (1910 - 1937), expondo sem melodrama a melancolia de Último Desejo (Noel Rosa), realçando o humor de Não Tem Tradução (Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves)e engatando uma veloz Conversa de Botequim (Noel Rosa e Vadico). Após o medley com temas de Noel, Bibi revive as duas composições mais conhecidas da trilha sonora composta por Chico Buarque para o musical Gota d'Água (1975), marco de sua carreira como atriz de teatro. Gota d'Água ressurge no tempo da delicadeza, de início recitada. Basta um Dia ganha registro de tom mais dramático, condizente com o caráter passional da peça. Ainda dentro da seara dos musicais, a artista recorda temas de espetáculos que encenou no Brasil com grande sucesso, passeando pelas músicas mais emblemáticas das trilhas sonoras de O Homem de la Mancha (1972), Alô Dolly (1965), Minha Querida Lady (1962). É com espantosa desenvoltura que Bibi encara temas como Eu Dançava Assim, a versão em português (feita por Victor Berbara) de I Could Have Danced All Night (Alan Jay Lerner e Frederick Loewe), clássico de My Fair Lady. Mas Bibi vai além e apresenta também temas de musicais que gostaria de ter encenado - casos de America (Leonard Bernstein e Stephen Sondhein) e de Memory (Andrew Lloyd Webber), sucessos de West Side Story e Cats, respectivamente. Memory, em especial, é ponto alto de show que ainda surpreende quando Bibi pisa com firmeza no sertão nordestino para cantar Perseguição (Sérgio Ricardo e Glauber Rocha) - música do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol - e Ponteio, tema agalopado de Edu Lobo e Capinam que consagrou Edu em festival de 1967 e que evidencia o apurado senso rítmico de Bibi, atriz que encarnou tão bem Edith Piaf (1915 - 1963) que tomou para si - com propriedade - o cancioneiro da artista francesa. E é por isso que Bibi in Concert IV encerra com La Vie en Rose, Hymme à L'Amour e Non, Je Ne Regrette Rien. E é por isso que Bibi-Piaf repete La Vie en Rose no bis, a pedidos da embevecida platéia que, a essa altura, já sabe que - a caminho dos 90 anos - Bibi Ferreira é cada vez mais o espetáculo.
by Mauro Ferreira
A trajetória de "Bibi in Concert IV"
Dia 30 de julho, única apresentação em Campos, Rio de Janeiro:
Florianópolis - dia 19 de agosto - no Floripa Music Hall
O Floripa Music Hall está localizado em prédio de 1920, tombado pelo Patrimônio Histórico.
Um dos grandes charmes do projeto está na sua própria construção, uma antiga edificação restaurada que possui uma arquitetura rica em requintes e bom gosto, que misturados ao som e luz de última geração formam um ambiente moderno e aconchegante.
"Bibi in Concert IV" cumpre uma agenda extensa e variada:
Dia10/09 – sábado - 2 apresentações - Teatro Dulcina.
Rio de Janeiro - Teatro NET Rio: estréia em abril de 2012
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