Bibi
Ferreira revive antigas emoções no Teatro Coliseu
Quinta-Feira, 9 de Fevereiro de 2006, 09:33
Reproduzido do Jornal A
Tribuna de Santos
A apresentação de Bibi Ferreira, com Bibi In Concert III
Pop, ontem à noite no Teatro Coliseu não foi emocionante
apenas para o público. A atriz, cantora e diretora confessou
estar tocada por encerrar a programação artística de
reabertura do teatro e ver mais um local destinado à arte,
que, inclusive, serviu de palco no começo de sua carreira,
nos anos 40.
‘‘Eu fazia parte da companhia de meu pai, Procópio
Ferreira, mas era desconhecida do público. Em Santos, papai
só apresentava suas peças no Coliseu’’, lembrou. No entanto,
os laços de Bibi com o teatro vão além deste episódio, com
várias passagens pelo seu palco durante a época áurea da
casa que deixaram boa impressão do público da Baixada
Santista.
Para levar Bibi In Concert para a platéia da região, a
artista chegou ao Coliseu por volta das 17h30, para acertar
o som antes de entrar em cena às 21 horas. E, durante o
aquecimento, ficou impressionada com a acústica oferecida
pelo teatro para um musical. ‘‘O som vai para o público e
volta’’, apontou.
Segundo Bibi, o espetáculo é moderno, por trazer uma
banda, com dez integrantes, e toda a motivação dos grandes
músicos brasileiros, elemento que considera pop. Porém, ela
revela que gostaria de ter dado um nome diferente para a
atração, presente no refrão de encerramento: Bye Bye Bibi.
‘‘O meu empresário não concordou com a idéia. Mas pretendo
que este seja o meu último musical e este título chamaria a
atenção das pessoas’’, observou.
Dedicação
O desenvolvimento de Bibi In Concert levou cerca de um
ano, período em que a artista pesquisou referências e
procurou escutar espectadores sobre o que desejam assistir
quando vão ao teatro. Além do grupo de instrumentistas, Bibi
conta com o acompanhamento de quatro cantores-atores em um
repertório que passeia por Tom Jobim, Vinicius de Moraes,
Noel Rosa, Maysa, João de Barro e também por Roberto Carlos,
Erasmo Carlos e Leandro e Leonardo.
O espetáculo também reserva surpresas desde a abertura,
com um rap a respeito do descaso com a língua portuguesa,
escrito por Bibi, Flávio Mendes e Teresa Tinoco. ‘‘Mostramos
a freqüência com que falamos o idioma de forma incorreta e,
em seguida, propomos onde o indivíduo pode ouvir o bom
português, com a encenação de um trecho de Gota D’Água, de
Chico Buarque’’, explicou.
A artista ainda deixa claro suas origens latinas com a
execução de tangos, alguns do seu novo álbum, produzido com
o maestro Miguel Proença, que a acompanha em Bibi In
Concert, e que será lançado em março, com a possibilidade de
pequenas apresentações pelo País.
A importância da figura de Procópio Ferreira é outro ponto
presente na atração, através de um trecho de Monólogo das
Mãos . ‘‘Papai deve ter feito este monólogo no Coliseu’’,
cogitou.
‘‘Levamos o espetáculo ao máximo da graça e da
dificuldade, como fica claro pela versão de Mulher-Rendeira,
que executo em idiomas diferentes, e pelas árias misturadas
com letras de samba. Aproveito para falar de perguntas que
as pessoas costumam fazer, bobagens em geral: ‘Está
casada?’, ‘Qual o papel mais difícil?’... Existe uma certa
dramaturgia, porque situo a platéia no conceito do show. Ela
se comove e emociona. Sinto o sucesso pelos aplausos’’,
avaliou.
Agora, Bibi In Concert III Pop segue para uma turnê pelo
Norte e pelo Sul. Sobre futuros projetos, a artista prefere
não comentar por motivo de superstição. ‘‘É bom evitar falar
se não existe uma data de estréia, caso contrário dá para
trás’’, finalizou.
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