|
Bibi Ferreira agora é
pop
Atriz faz no Canecão espetáculo no qual canta como ela mesma,
sem personagem
Foto de Júlio Dutra
Para quem for assistir ao novo show da atriz Bibi
Ferreira que estréia
sexta-feira, no Canecão – com apresentações também sábado e
domingo –, um
aviso: a atriz não vai interpretar nenhuma diva, grande marca em
sua
sexagenária trajetória profissional. Dessa vez, em Bibi in
Concert III –
Pop, a artista será ela mesma. “Não é todo dia que se
encontra uma cantora
que mereça ter sua vida contada”, diz Bibi, 82 anos, que sem
falsa modéstia,
dispara: “Esse é meu melhor show. Bem interligado, moderno e
atual.”
Apesar disso, Bibi acha mais difícil estar no palco como ela
mesma do que
interpretando uma cantora. “É mais fácil aparecer como outra
cantora, porque
dá para mantém a emoção de forma cronológica. Aqui, cada número
é bem
diferente um do outro, que nada tem a ver com que aconteceu
antes”, comenta
a atriz, que está acompanhada por uma banda de 10 músicos e, no
palco, por
quatro rapazes cantores. “São todos muito jovens. Isso me deixa
contente
porque tivemos afinidade, além de trocarmos idéia.”
E Bibi está mesmo moderninha. Algumas surpresas no espetáculo
comprovam essa
fase. “O quarteto da ópera Rigoletto canta supersério. Aqui,
peguei letras
de sambas e coloquei na letra do quarteto. São quatro letras
diferentes
entrelaçadas, cantadas ao mesmo tempo. Pode ser difícil, mas
também hilário,”
diverte-se Bibi, que fez toda a pesquisa para tal novidade.
“Peguei letras de músicas de João de Barro, Noel Rosa, Roberto
Carlos,
Erasmo Carlos, Maysa, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e algumas de
Leandro e
Leonardo”, diz ela. Uma dupla sertaneja? “Sim, a frase ‘Liga
pra mim’, de
Pense em Mim, é muito significativa. Fui atrás de frases
boas”, explica.
Não é que a versátil atriz também interpreta um rap, composto
por ela e por
Teresa Tinoco e Flávio Mendes, diretor musical do show? “É bom
a beça cantar
rap. Esse é o Rap Português, em que faço uma crítica ao mau
uso da língua
portuguesa”, avisa Bibi, que demorou mais de um ano para
levantar o
espetáculo, tamanha pesquisa para o repertório. Esse cuidado
também se
estende para sua voz. “Cuido muito dela. Na semana do show, eu a
poupo: dois
dias antes da apresentação, falo o menos possível. Além de não
fumar nem
beber”, garante ela que tem também um truquezinho: “Quatro
horas antes do
show, como uma banana. Duas horas antes, mais uma. Fico com estômago
cheio
para trabalhar, sem estar pesada. Como banana porque repõe o potássio
e me
dá energia.” Segredinho de diva.
por Marcelle Carvalho
Reproduzido
do Jornal de Brasília 22
de setembro de 2004
Novidades de Bibi
Sem procurar interpretar uma personagem específica, artista
canta rap e tango em "Bibi in concert III"
Daniel Schenker Wajnberg
Apesar do número III acompanhar o título
"Bibi in concert - Pop", lembrando o espectador dos
shows anteriores (realizados, respectivamente, em 1991 e 94), o
espetáculo que Bibi Ferreira apresenta, a partir de amanhã, no
Canecão, traz novidades e mudanças estruturais.
Para começar, mostrando-se sintonizada com a passagem do tempo,
Bibi canta um rap, criado em parceria com Teresa Tinoco e Flávio
Mendes, misturando-o a tangos e canções de artistas da MPB,
como Dolores Duran, Tom Jobim, Antonio Maria, Chico Buarque,
Silvio Caldas e Orestes Barbosa.
Além disso, a organização do roteiro de "Bibi in
concert" difere das edições passadas. "Agora os números
são interligados na ação dramática do espetáculo. No
entanto, talvez apenas os espectadores mais atentos notem esta
mudança", assinala Bibi Ferreira, marcando a distância do
espetáculo em relação às tradicionais interrupções para
que os números sejam inseridos, característica de boa parte
dos musicais.
Em "Bibi in concert III", a artista não está
preocupada em representar personagens. Talvez porque já tenha
encarnado uma infinidade delas ao longo de sua carreira.
"Agora não estou fazendo a vida de ninguém. Sou eu mesma
fazendo uma variedade de coisas. Também não tinha nenhuma
personagem na minha cabeça, neste momento. Preferi, então,
juntar todos os pedaços numa espécie de grande revista",
conta Bibi.
Seguindo tradição familiar no que diz respeito à
familiaridade com o sucesso, valendo lembrar da carreira popular
delineada por Procópio Ferreira (eternizado nas apresentações
de "Deus lhe pague", de Joracy Camargo), Bibi afirma
que seu prazer está diretamente condicionado à boa
receptividade alcançada pelos espetáculos.
"Quando entro para ganhar o meu pão, a escolha é popular.
Procuro a melhor forma para vender o meu produto", diz
Bibi, responsável por grandes estouros do teatro brasileiro,
como "Gota d'água", "O homem de la mancha"
e "Piaf" (vale dizer que a gravadora Biscoito Fino lançará
o DVD "Bibi canta e conta Piaf").
Incansável, Bibi tem diversos espetáculos que dirigiu
atualmente em cartaz, como "A babá", "Todo gato
vira-lata tem uma vida sexual mais sadia que a nossa",
ambos de Juca de Oliveira, e "A gioconda", de Paulo
Guarnieri. Entre seus próximos projetos está a direção de
"DNA", texto de Thiago Santiago, com previsão de estréia
para novembro.
Reproduzido
da Tribuna da Imprensa Online 23/09/2004
____________________
A trilha sonora
de Bibi Ferreira
João
Pimentel
Poucos artistas brasileiros já incorporaram tantos personagens
quanto Bibi Ferreira. Ela já foi Edith Piaf, Amália Rodrigues,
Dolly e Dulcinéia, entre outras. Mas, ao subir ao palco do
Canecão, de hoje a domingo, ela não vai representar nenhuma
delas isoladamente, mas pode encarnar todas ao mesmo tempo. Em
“Bibi in concert III — Pop”, a diva do teatro brasileiro
empresta sua voz para canções que fazem parte de sua memória
afetiva.
Segundo a cantora-atriz-diretora, a intenção é fazer do show
um bate-papo informal. No roteiro, por exemplo, há números
como um rap composto em parceria com Teresa Tinoco e Flávio
Mendes — no qual Bibi critica o mau uso da língua portuguesa
— e uma versão de “Mulher rendeira” em que ela flerta com
os mais diversos estilos musicais.
Bibi se apresenta acompanhada por dez músicos e ainda lembra
sucessos como “Gota d’água”, de Chico Buarque, “Chão
de estrelas”, de Silvio Caldas e Orestes Barbosa, trechos de
óperas e, claro, pérolas de Piaf e Amália.
O Globo - Rio
Show - 24/09/2004
_________________________ |