Foto de Minervino Junior - Jornal de Brasília

 

 

 

Bibi Ferreira escolhe Brasília para iniciar a turnê de seu novo espetáculo "Bibi in Concert III". 

 

 

Pré-estréia nacional, dias 16 e 17 de julho, na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro.

 

Bibi Ferreira por Bibi Ferreira. Essa é a essência do espetáculo "Bibi in Concert III", que estréia nacionalmente amanhã, na Sala Villa Lobos do Teatro Nacional. A intérprete preparou um show em que cantará seus maiores sucessos, surpresas (como um rap que compôs com Teresa Tinoco e Flávio Mendes) e canções que contarão histórias de uma carreira que começou quando ela tinha apenas três anos.

"Quando subir no palco amanhã descobrirei se é mais fácil ou difícil interpretar eu mesma", disse a artista, em referência aos últimos espetáculos em que viveu personagens como Edith Piaf, Joana e Amália Rodrigues.

Bibi Ferreira vive um momento especial na carreira. "Pela primeira vez estou trabalhando com muitas pessoas jovens que, apesar da idade, são talentosíssimas", afirmou. Augusto Ordine, Arthur Brandão, Beto Serrador e Jonas Castro foram os cantores escolhidos pelo maestro Flávio Mendes para compor esse grupo. 

Foto de Minervino Junior - Jornal de Brasília- "Estamos trabalhando juntos há um mês e a cada encontro vivemos uma lição ao lado de Bibi que ficará para sempre na nossa memória", relata Arthur Brandão, único que tem formação teatral mais forte que a musical.

Tangos, outra novidade de "Bibi in Concert III" fica por conta do medley de tangos que Bibi interpretará. 

-"Meu primeiro idioma é o espanhol. Minha mãe nasceu em Valência, na Espanha, e até sua morte só conversávamos em espanhol", lembra. O gosto pelo tango veio do tio Antônio, que a fez conhecer de perto o ritmo. 

-"Ele era amigo de muitos músicos argentinos e uruguaios. Quando eles vinham para o Rio de Janeiro, iam tocar na minha casa. Cresci ouvindo tango. Ele fez parte de minha adolescência", explica Bibi. Mas, ela nunca tinha incluído o ritmo portenho no roteiro de seus shows. Agora fará essa volta às origens e anuncia o lançamento, para breve, de um CD só com tangos, gravado com o pianista Miguel Proença.

O repertório é complementado com um repertório bem brasileiro, que inclui sucessos de compositores como Antonio Maria, Tom Jobim, Chico Buarque, Dolores Duran e outros. O show será conduzido pelo "mestre de cerimônias" Nilson Raman, produtor de Bibi.

- "Farei a ligação entre o momento musical e o de bate-papo", explica ele.

O rap, um dos momentos mais esperados, faz uma crítica bem-humorada do mau uso da língua portuguesa. 

-"Perdemos o verdadeiro português. Estamos cheio de vícios de linguagem", pensa Bibi.

Ainda no roteiro, a nova versão, ou melhor, a versão "estendida" da Mulher Rendeira, famoso número cômico-musical de Bibi, que brinca com os mais diversos estilos musicais. Bibi resgata também alguns trechos de Gota d'Água, e apresenta o Monólogo das Mãos, um grande exercício de ator, número solo que ficou eterno na pele de Procópio, seu pai.

Ainda no roteiro do espetáculo a canção Chão de Estrelas, de Silvio Caldas e Orestes Barbosa, com arranjo do músico Sérgio Ricardo; uma rápida passagem pela ópera, apresentando uma versão cômica do quarteto do Rigoletto; além de canções de Piaf e Amália.

 

Reproduzido do Jornal de Brasília

15 de julho de 2004

Trabalho sobre foto de Minervino Junior - by Angela.

 


 
 
Grande dama da voz  
 

Estar no palco, para a bisavó Bibi Ferreira, 82 anos, é ‘‘viver o presente da melhor maneira possível’’. Depois de dar vida a personagens marcantes como Edith Piaf, Amália Rodrigues, Joana, Dolly e Dulcinéia, a atriz volta à cena com Bibi in Concert III, espetáculo em que revisita alguns dos melhores momentos de sua trajetória artística, iniciada na década de 40.

  Bibi começou por Brasília a turnê que a levará a várias cidades brasileiras. Para ela, reunir trechos de outros espetáculos no In Concert tem uma explicação: ‘‘Parto do princípio de que, na platéia, haverá sempre alguém que nunca me viu em cena. Assim, aquilo que vai ser apresentado é uma novidade’’.

  A escolha de Brasília para a estréia da turnê não foi aleatória: ‘‘Aqui é a capital federal. Brasília, onde inaugurei o Teatro Dulcina, sempre me deu ótima acolhida. Além disso, é a sede da Brasil Telecom, empresa que viablizou este projeto’’.

  O espetáculo, ‘‘quase um bate-papo’’ entre Bibi e a platéia, é conduzido por um mestre de cerimônias, o ator Nilson Raman. No palco estarão 10 músicos e os backing vocals Arthur Brandão, Augusto Ordine, Betto Serrador e Jonas Castro, sob regência do maestro Flávio Mendes — também responsável pelos arranjos e direção musical.

  Leveza e alegria
‘‘Eu, que já me apresentei ao lado de grandes corais e sinfônicas, estou adorando ter a companhia, agora, de jovens músicos e cantores, que trazem leveza, alegria e também competência’’, elogia. O repertório foi selecionado pela própria Bibi, que também preparou novos números, com um rap criado em parceria com a compositora Teresa Tinoco e Flávio Mendes. ‘‘No rap, a gente fala do mau uso do idioma, do excesso de vícios de linguagem.’’

  Outra novidade no In Concert é Bibi cantando um medley de tangos tradicionais. Isso a remete ao castelhano, idioma com o qual conversava com a mãe, espanhola educada em Buenos Aires. ‘‘Sempre ouvi tango. Quando os grandes cantores do gênero iam ao Rio de Janeiro se apresentar no Cassino do Urca, costumavam visitar minha mãe e fazer sessões exclusivas para nossa família, depois do jantar.’’ Bibi, aliás, vai gravar um CD de tangos, juntamente com o pianista Miguel Proença.

  Além de cantar canções de Antônio Maria, Dolores Duran, Sívio Caldas, Tom Jobim e Chico Buarque, o espetáculo faz um revival de trechos de Gota d’água e dos musicais em que deu vida a Edith Piaf e Amália Rodrigues. O roteiro traz ainda fragmentos do Monólogo das mãos, imortalizado pelo pai, Procópio Ferreira.

  Ao falar sobre Procópio, a atriz se detém mais na figura do ator consagrado. ‘‘Tive vivência maior com meu pai no palco do que em casa. Era um extraordinário ator cômico e dramático, que fazia a alegria das pessoas, excursionando pelo país, quando ainda não havia televisão. Mas tenho pouquíssimas lembranças de Procópio no lar, daquela coisa do almoço de domingo. Até porque eu tinha oito anos quando ele foi viver com sua outra família.’’

  De acordo com Nilson Raman, produtor do Bibi in concert III, depois de estrear em Brasília o espetáculo volta no começo de agosto, em Porto Alegre. De 24 a 26 de setembro faz curta temporada no Canecão, no Rio de Janeiro.

Irlam Rocha Lima
Do Correio Braziliense

                        

Passeio musical na voz de Bibi 

Orquestra, quatro barítonos, platéia cheia, em clima de nostalgia, encantada com aquela
pequena de 82 anos. Bibi Ferreira é show woman, com ou sem produção. É gigante no palco. Filha do lendário ator Procópio Ferreira, não deixou de reverenciar o pai e sua influência na carreira. 
Com toque de humor e muita emoção, Bibi passeou pela música brasileira e internacional num malabarismo vocal de tirar o fôlego. Da ópera ao rap.
Bibi brincou dando diversas versões a Mulher Rendeira. Homenageou Antônio Carlos
Jobim e relembrou o marco de sua carreira, interpretando Edith Piaf com  Je ne Regrette Rien. A platéia não se conteve ao aplaudir: "Maravilhosa!". O espetáculo reuniu, nas noites de sexta e sábado, na sala Villa-Lobos, público de fãs e autoridades. A vice-primeira-dama, Mariza Gomes, mostrou que é tiete. Compareceu às duas noites
de show. Na sexta, foi sozinha. No sábado, fez questão de voltar para levar o marido, o vice-presidente José AJencar .
Bibi, após o espetáculo, recebeu muitos cumprimentos no camarim e ficou lisonjeada
com a reverência de Asta Rase, presidente da Associação Ópera-Brasília. Rose ficou
impressionada com a performance de Bibi ao lado dos quatro barítonos numa versão bem
pessoal de uma ária da ópera Rigoletto. "Vindo de você, esse elogio me deixa muito
orgulhosa", comentou. Com apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e da Brasil Telecom, o espetáculo foi um presente ao público brasiliense.

Reproduzido do Correio Braziliense

Coluna 360 graus
20/07/04

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