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Bibi Ferreira -
fenômeno aos 83
Everaldo Fioravante
Reproduzido do Diário do Grande ABC Online -
15/01/2006
Da ópera ao rap, passando por tangos, Tom Jobim, Chico
Buarque, Roberto Carlos e muitos outros nomes de peso da
música brasileira. Bibi Ferreira solta a voz em Bibi In
Concert III Pop, espetáculo que acaba de voltar ao cartaz no
Teatro Shopping Frei Caneca, em São Paulo, onde foi visto em
outubro de 2005.
“Não é o
espetáculo de uma senhora de idade. É de uma pessoa normal,
que está bem, aos 83 anos, uma artista”, afirma Bibi. E ela
pede à reportagem: “Você devia escrever aí que eu sou um
fenômeno, basta ver o concerto para confirmar.”
E antes de começar a falar para valer, Bibi solicita um
minuto: “Espera um pouco, tem um vento frio aqui em cima de
mim, não posso correr o risco”. Já sem o vento a incomodar,
a após uma janela fechada, ela continua a entrevista, com a
disposição que lhe é peculiar. “Em Bibi In Concert III, não
sou um personagem. Sou eu, cantando, conversando com a
platéia, respondendo perguntas. O termo concerto significa
isso, não é a história de outra pessoa”, explica.
Junto a uma banda de dez músicos, quatro cantores e um
mestre de cerimônias, Bibi passeia por diversos ritmos
musicais muito distintos, unidos por meio de ligações
dramatúrgicas. “Uma das coisas mais difíceis do espetáculo,
que é todo interligado, é justamente como passar de um ritmo
para outro. O concerto só não é todo ligado porque o público
interrompe com muitas palmas”. O espetáculo é moderno? “É
supermoderno, por causa do ritmo. É atual. É o ritmo da
vida, todo ligado”.
O repertório reserva ótimas surpresas: “Para o quarteto do
Rigoletto, de Verdi, fiz arranjos com letras de samba”. A
ópera ganhou então letras de nomes como Heitor dos Prazeres,
Noel Rosa, Vinicius de Moraes e Mario Lago, e ainda, de
Roberto Carlos e Leandro & Leonardo, entre outros.
No rap, uma parceria com Teresa Tinoco e Flávio Mendes
(diretor musical do espetáculo), Bibi critica o mau uso
feito da língua portuguesa hoje em dia (“estamos perdendo o
idioma”) e também faz crítica política.
Versatilidade, como se vê, também não falta a Bibi.
Disposição então, nem se fala. Como se manter assim, tão
ativa, esperta, aos 83 anos? “Isso foi Deus que me deu. Meu
pai e minha mãe também sempre foram ágeis. E isso também tem
a ver com como a gente se trata, sempre tive uma vida
regrada. O ator leva uma vida de atleta. Tudo que faço é em
benefício do trabalho. Vivo para a profissão, para o palco”.
Em outros momentos do espetáculo, Bibi presta homenagem a
seus pais, o ator Procópio Ferreira e a bailarina e cantora
espanhola Aída Izquierdo, que morou na Argentina. Procópio é
lembrado por meio do Monólogo das Mãos, número solo
eternizado pelo ator. Já a mãe é lembrada com os tangos – o
gênero musical, por sinal, está no recém-lançado CD Tango
(Biscoito Fino), na qual Bibi é acompanhada por Miguel
Proença, ao piano.
Bibi In Concert III Pop – Concerto com Bibi Ferreira.
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