Fotos: Milton Mansilha/Agência Luz Fotos: Milton Mansilha/Agência Luz

            Por Sérgio Roveri



Concentrada diante do microfone, Bibi Ferreira pede alguns segundos de silêncio
aos músicos e aos poucos presentes ao ensaio do espetáculo Bibi in Concert III Pop,
que estreou no Teatro Shopping Frei Caneca para uma temporada de três semanas.
Em seguida, diz um comovente trecho do segundo ato da peça Gota d'Água, de Chico
Buarque, e o emenda com a canção de mesmo nome. Quando termina o número, dirige-
se polidamente ao maestro e ordena: "Por favor, diga ao violoncelo para mudar a nota
apenas quando eu terminar o verso. O que ele fez foi lindo, realmente lindo, mas me desconcentrou". Mais tarde, no camarim que leva seu nome, acomodada diante de uma
bancada onde se destaca um pote de vidro repleto de jujubas - um das fraquezas da atriz,
ao lado do café, que sorve em xícaras grandes entre um número e outro - Bibi confessa que
não pode se descuidar de nada: seus olhos e ouvidos têm de estar atentos ao que se passa na platéia, na orquestra de dez músicos e na performance dos quatro jovens cantores que a acompanham. "Tem de ser assim. Sou a estrela, a criadora e a diretora deste espetáculo.
Não posso me dar o luxo de descuidar de nada".



Retrato
Se dependesse da vontade da atriz, Bibi in Concert III, espetáculo em que, entre canções de Piaf, Amália Rodrigues, Tom Jobim e Chico Buarque ela relata algumas passagens de seus 60 anos de carreira, teria outro nome. Provavelmente, Bye, Bye Bibi. Mas os produtores reprovaram, alegando que este título sinalizaria para um ponto final em sua carreira. E se ela quisesse retornar aos palcos em 2006, por exemplo, que nome dar à nova produção? Bem-humorada, Bibi resolveu a questão. Batizou o presente show de Bibi in Concert III e, caso produza um novo espetáculo no ano que vem, já avisou aos produtores que ele irá se chamar Bibi in Concert IV - O Retorno da Múmia. Gargalhadas entre os músicos. "Confessem, este título é um estouro, não é?", brinca. "Somos assim, palhaços, rimos das nossas próprias desgraças".



Paródia

Bibi Ferreira passou vários meses costurando o roteiro deste show. O maior
trabalho foi encontrar, entre os sucessos da música popular brasileira, versos que
se encaixassem à perfeição em uma paródia que faz da ópera Rigoletto, de Verdi.
"Incluí trechos de canções de João de Barro e Heitor dos Prazeres a Leandro
e Leonardo e Maysa", diz. "O encaixe ficou perfeito. Qualquer pessoa que
entenda de música clássica pode comprovar o que eu digo". Outro ponto alto
do show é um rap em que defende a língua portuguesa dos ataques diários
que ela sofre na imprensa, nas novelas e nas conversas do cotidiano. "O teatro
é um dos últimos redutos em que o idioma é respeitado", alega.
"Mas eu brinco muito no espetáculo. Posso me permitir estas
liberdades porque não sou propriamente uma cantora. Sou uma
atriz que calhou de ser afinada".



Sem rótulo

Aos 83 anos, Bibi Ferreira não quer que o espetáculo receba o
rótulo de autobiográfico. Se assim o fosse, alega, teria de
incluir nele trechos dos musicais O Homem de La Mancha, Alô,
Dolly e de outros trabalhos que ficaram de fora. "É apenas um
recital em que apresento um lado mais pop do meu trabalho.
Agora, não estou ligada somente em uma personagem, como
ocorreu nos musicais dedicados a Edith Piaf ou Amália Rodrigues",
diz. "É a história da própria Bibi Ferreira que está em cena".

 Matéria reproduzida do Diário do Comércio:

http://www.dcomercio.com.br/especiais/bibi_ferreira

Bibi in Concert III Pop, estréia nesta sexta, dia 14, no Teatro Shopping Frei Caneca, Rua Frei Caneca, 569, 6º andar, tel.: (11) 3472-2229. Espetáculos sexta e sábado às 21h, domingo às 20h. Ingressos a R$ 80.
Fotos: Milton Mansilha/Agência Luz
Fotos: Milton Mansilha/Agência Luz
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