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Vi
Edith Piaf se apresentando ao vivo - e poucas coisas sobre um
palco me impressionaram tanto. Jamais me esquecerei dos dois
espetáculos que vi dela, no Lord Palace Hotel de São Paulo, se
não me engano em 1956. Piaf era um fenômeno - pequenina e
frágil, sempre com um vestidinho preto, sem utilizar nenhum
recurso de espetáculo. Lembro-me que disse numa entrevista que
se apresentava assim porque se houvesse qualquer outra coisa à
vista - vestidos deslumbrantes, grandes orquestras, elementos
cenográficos, o público não olharia para ela, "pois era
muito feinha". E ela queria, simplesmente, que ouvissem sua
voz. Mas não apenas sua voz era prodigiosa; o magnetismo e o
carisma que se evolavam dela faziam o público perceber
imediatamente porque ela tinha um tão enorme sucesso
internacional. Era também uma atriz e uma comediante de
primeira - de modo que seu trabalho era, na plenitude, uma
"interpretação" dos temas que cantava e compunha.
De
modo que logo me interessei em dirigir uma peça sobre a vida de
Edith Piaf, assim que fui convidado: especialmente porque o
papel seria representado por Bibi Ferreira, essa fulgurante
personalidade do teatro brasileiro. Bibi é minha inveja e
admiração. Como atriz, eu a admiro pelo seu imenso talento,
pela minúcia do seu trabalho, pelo seu incansável
profissionalismo, pela riqueza de suas possibilidades como
atriz, cantora e bailarina. Como diretor , eu a invejo pela
justeza de suas produções, sempre tão bem acabadas e
realizadas com o objetivo de captar a emoção e o interesse do
público. Como somos também muito bons amigos, os ensaios
correram num clima muito agradável.
Piaf,
de Pam Gems, é uma peça com várias versões. O primeiro texto
que estudamos difere do segundo, e ambos diferem da versão
representada primeiramente em Londres e depois em New York.
Nosso espetáculo é uma mistura dos três, e é uma concepção
absolutamente original, sem nada que relembre outros
espetáculos feitos a partir da mesma peça. Pretendemos um
espetáculo ágil e simples, pois, como a própria Piaf diz na
peça, ela não precisava de muita coisa - "um acordeon e
um refletor" bastavam. Piaf morreu há vinte anos, e
quisemos que mesmo o público mais jovem, que não a conheceu,
tivesse dela uma idéia nítida e exata.
Espero
que vocês se divirtam e se emocionem.
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