"BIBI FERREIRA CANTA PIAF"

 

Bibi reencontra Piaf  

 

Em 1983, Bibi Ferreira encarnou pela primeira vez a  cantora francesa Edith Piaf. Estrelava um espetáculo teatral grandioso, com catorze atores e quatro músicos. Em 1994, para festejar a reinauguração da Praça Paris, Bibi homenageou a diva com um concerto sinfônico, costurando fatos que marcaram a carreira de Piaf com grandes sucessos. Nesta semana, a atriz volta a encarnar a intérprete francesa no Teatro Maison de France, na terça (27) e quarta (28). O espetáculo será gravado ao vivo, em CD e em DVD. "Piaf chegou a mim por acaso. Na juventude, era mais ligada à música americana. Depois que ouvi Milord, no entanto, me entreguei", recorda Bibi. A interpretação com grande carga dramática garante belíssimos momentos, como nas clássicas La Vie en Rose, Hino ao Amor e Je ne Regrette Rien. As canções são alinhavadas por textos sobre a vida de Piaf, narrados por Nilson Raman. Há passagens fortes, como o acidente de avião que matou, em 1949, um dos amores da diva francesa, o lutador de boxe Marcel Cerdan. Ao lado de Bibi estão os dezenove músicos da Camerata Santa Teresa e o coral do Núcleo de Canto Elene Zanotti.

Reproduzido da Revista Veja Rio 

 

 

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO:

Direção Geral - Bibi Ferreira
Direção musical, arranjos originais e regência - Maestro Nelson Melim
Adaptação de arranjos - Flávio Mendes
Arregimentador - Lipe Portinho
Narração - Nilson Raman
Operador de som - Hugo Tolipan
Operador de luz - Ricardo Moreira
Maquiadora - Eloisa Gonçalves
Camareira - Neyde Galassi
Assistente de produção - Amilton Amaro Junior
Arte final - Sandro Bezerra Viana
Produção executiva - Cleusa Amaral
Imprensa - Cacau Ghiese
Direção de produção - Marcus Montenegro, Nilson Raman e Camerata Santa Tereza

 

 

Ouvir Bibi é um grande privilégio 

José Maurício Machline
 

Algumas vezes a vida nos proporciona momentos de uma emoção e de uma importância tão fortes que deveríamos desenvolver um método de poder registrar aquilo internamente, com uma fidelidade absoluta.
A emoção seria medida com um determinado sensor, tão apurado, que apenas com uma medida superior a tantas lágrimas ou a apertos cardíacos se teria a chance de reviver aqueles instantes.
Claro que existem meios técnicos para isso - cinema, DVD, vídeo etc. Não estou falando de registrar apenas a imagem ou o som, é muito mais que isso, eu falo das emoções, dos sentimentos que acontecem infelizmente poucas vezes na nossa existência (por sinal a gravadora Biscoito Fino registrou o espetáculo).
O que aconteceu, há alguns dias, no Teatro Maison de France, com Bibi Ferreira cantando canções da Edith Piaf, foi com toda certeza um desses raros momentos.
Impressionantes a segurança e a capacidade de encantar e emocionar as pessoas que esta senhora possui.
Logo na sua entrada a platéia levantou-se e a aplaudiu intensamente em pé, demonstrando admiração e respeito por aquela artista de qualidades e talentos inesgotáveis.
Aí Bibi foi desfiando as canções mais importantes do repertório da intérprete francesa, com um desempenho tão cuidadoso, com uma destreza tamanha e com uma emoção tão forte e sincera que as pessoas iam ficando cada vez mais tomadas pela atmosfera que a atriz levou ao palco naquela noite - e nem as intervenções do narrador atrapalharam a perfeição do show.
Cada canção apresentada trazia consigo uma reação emocionada e calorosa da platéia, que naquela noite estava repleta de personalidades e colegas importantes de Bibi Ferreira: Fernanda Montenegro, Natália Thimberg, Sérgio Brito, Nicete Bruno com Paulo Goulart, Othon Bastos, Ana Botafogo, filha, netos e bisnetos da diva e muitos franceses encantados com a pronúncia e com a interpretação da cantora. O espetáculo acabou com a platéia exigindo bis, aplaudindo por  vários minutos,  até que a diva voltou à cena - e durante todo o seu retorno aquele público permaneceu em pé e aplaudindo, em sinal total de reverência e de admiração.
Numa noite  de maio de 1983, no Teatro Ginástico, com direção de Flávio Rangel, pela primeira vez Bibi apresentou Piaf. Foi surpreendente e mágico. É incrível que, 20 anos depois, a mesma atriz (com todas as dificuldades inerentes ao acréscimo das intempéries que a vida proporciona) volte aos palcos, apresentando o mesmo repertório, cantando com uma afinação impecável, sem demonstrar o menor desgaste físico e muito menos vocal, segurando as notas e fazendo malabarismos discretos e eficazes com a voz e com o corpo.
Em 20 anos, o fenômeno Bibi Ferreira nos demonstra um controle e uma qualidade artística dignos das grandes divas do cinema mundial.
Talvez a atividade ininterrupta seja responsável por estes atributos todos. Bibi se mantém trabalhando ano após ano, não só atuando, mas dirigindo peças e shows de colegas, que pedem por seus sábios conselhos e conhecimentos incomparáveis sobre a profissão de artista, nos seus mais diversos prismas.
Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira vez que vi Bibi Ferreira cantar. Foi num teatro em São Paulo, onde aquela mulher se apresentava num musical de Chico Buarque e Paulo Pontes chamado Gota d'água. Aquela apresentação foi suficiente para eu nunca mais ter esquecido do fascínio que aquela atriz exerceu definitivamente naquele então adolescente. Esta admiração me persegue carinhosa, intensamente, até hoje. E com certeza se eternizará não só em mim, mas em todos aqueles que respeitam e admiram a qualidade dos artistas brasileiros.
Bibi Ferreira é um fenômeno de talento e conhecimento, que ficará para sempre num lugar muito especial da história das artes cênicas do Brasil.

Reproduzido da Coluna Machline - JB Online

09/FEV/2004
 

 

 

 "BIBI FERREIRA CANTA PIAF" VIRA DVD 

Show que atriz faz desde 83 será filmado em duas sessões na Maison de France



Bibi Ferreira não deixa que a entrevista chegue ao fim sem antes dar um recado:

— Quem gosta de me ver em cena como atriz não precisa se preocupar. Em 2005, volto ao teatro declamado com uma comédia — promete.

Os ingressos para espetáculos
já estão esgotados

Tanta preocupação tem sua razão de ser: em 2004, a atriz e diretora promete se dedicar exclusivamente à música. A começar, nos próximos dias 27 e 28, pela volta de “Bibi canta e conta Piaf”. O espetáculo, que a atriz apresenta desde maio de 1983, primeiro em formato teatral, com direito a 14 atores em cena, e depois em formato sinfônico, faz suas apresentações na Maison de France. O objetivo é gravar o show para que ele seja lançado em DVD ainda este ano pela gravadora Biscoito Fino.

— Vai ser o meu primeiro DVD, o que é bom, mas também me deixa nervosa, porque sei que o que eu estiver fazendo vai ser eternizado e preciso tomar mais cuidado — diz Bibi, que, nas duas apresentações na Maison de France, já com ingressos esgotados, será acompanhada pela Camerata Santa Tereza, com 19 músicos, e pelo coral de oito vozes do Núcleo de Canto Elena Zanotti. — No DVD, teremos um making of das apresentações e possivelmente cenas da peça.

O formato, no entanto, é praticamente o mesmo que o espetáculo assumiu em 1994, por ocasião da reinauguração da Praça Paris, quando deixou de ser teatral e passou a ser sinfônico. No palco, Bibi interpreta sucessos da cantora francesa, como “La foule”, “La ville inconnue”, “Mon Dieu” e “Pendant, pendant”, enquanto Nilson Raman, no papel de mestre-de-cerimônia, entremeia as músicas com textos sobre a vida de Piaf.

— Acho que Piaf e Amália Rodrigues vão estar sempre na minha vida — diz Bibi, que não vem pensando em aposentar nem o show sobre a cantora francesa, nem aquele em homenagem à fadista portuguesa. — Não sei se o de Piaf é um papel que as pessoas associam a mim, acho que veio na hora certa. Mas tem gente que me prefere como Amália.

Está relacionado à cantora francesa um dos projetos musicais em que Bibi promete investir em 2004: gravar um CD com canções que Piaf teria selecionado para seu próximo disco e que nunca chegou a gravar. E ainda há outro projeto de CD, um apenas com gravações de tangos famosos. Enquanto os dois projetos fonográficos, que também devem sair pela Biscoito Fino ou pela Quitanda, selo de Maria Bethânia, não saem do papel, ela ensaia “Bibi in concert 3”, que estréia em maio, em Brasília.


Jornal: O GLOBO
Segundo Caderno

23/01/2004

 

Bibi: No teatro e na vida  

Foto: Rogério Vital

 

A vida de Bibi Ferreira confunde-se com a própria história do teatro brasileiro. Filha de Procópio Ferreira, mestre na arte de encenar, a atriz pisou no palco pela primeira vez quando ainda era apenas um bebê - nunca mais parou. Seu talento, musicalidade e magnetismo cênico poderão ser apreciados pelo público em DVD/CD a partir de agosto, quando será lançado o show "Bibi Canta Piaf", gravado ao vivo, na semana passada, no Rio de Janeiro.

No último dia 28, a TRIBUNA DO NORTE esteve presente à sessão de gravação do primeiro DVD da carreira de Bibi Ferreira, realizada no Teatro Maison de France, na sede do consulado francês, Centro do Rio - uma noite bastante concorrida, com a presença de estrelas do teatro, cinema e televisão.

O DVD comemora os 20 anos de sucesso absoluto de crítica e público do espetáculo "Bibi Canta Piaf". No palco, Bibi estava acompanhada por 19 músicos da Camerata Santa Tereza e por oito vozes do coral do Núcleo de Canto Elena Zanotti.

Após o show, foi lançada a fotobiografia "Bibi Ferreira - Uma Vida no Palco", que conta a trajetória da atriz, cantora e diretora através de imagens, fotos, cartazes e textos.

A produção do espetáculo é da empresa carioca Montenegro & Raman, que inclusive já trouxe Bibi a Natal para cantar o repertório da antológica cantora francesa, acompanhada pela Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte e Madrigal da UFRN, em concerto natalino realizado em 2000, à frente do Palácio da Cultura - e ainda em anos posteriores, com outros espetáculos.

Além de cantar e interpretar Edith Piaf, Bibi Ferreira ainda é responsável pela direção geral do espetáculo sobre a vida de Piaf.

 

Uma festa de amigos no Maison de France

 

Antes do início do show, o salão do Maison de France foi ponto de encontro para muitas celebridades. Parecia até uma confraternização, tantos eram os beijos e abraços. Foram prestigiar Bibi Ferreira, estrelas como as atrizes Fernanda Montenegro, Natália Timberg, Ida Gomes, Eva Todor, Carla Marins, Nicete Bruno, Lisa Vieira, Vera Gimenez, Isabela Garcia, Rosa Maria Murtinho; os atores Paulo Goulart, Sérgio Brito, Othon Bastos; a novelista Glória Perez; as bailarinas Ana Botafogo e Márcia Haydée; o músico Jacques Morelembaum; e o empresário produtor musical José Maurício Machline (Prêmio Tim de Música, ex-Prêmio Sharp).

 

O Show

Após uma introdução com orquestra e coral, Bibi Ferreira entra em cena ovacionada, sendo aplaudida de pé pela platéia. Vestindo preto e azul real, ela passa a interpretar canções clássicas de Edith Piaf, sendo ponteada pela narração elegante de Nilson Raman, que conta detalhes da conturbada carreira da mais celebrada cantora francesa, cheia de sucessos e tragédias. Um por um, Bibi vai interpretando os principais sucessos de Piaf e, dependendo do teor da canção, sua face era iluminada por um riso contagiante ou pela expressão pesada do desapontamento.

Com impressionante desempenho vocal e total domínio sobre músicos e platéia, Bibi Ferreira protagoniza um espetáculo curto, mas inesquecível - já apresentado inclusive em Portugal e em Paris, onde recebeu várias homenagens, prêmios e condecorações.

Bibi não é de estatura alta, mas em cena transforma-se; vira uma gigante. Impressionante. Entre as canções do repertório estão "La Foule", "La Ville Inconnue", "Milord", "Non, Je Ne Regrette Rien", "Bravo Por Le Clown", "La Vie En Rose". Para cada canção, uma narrativa de Nilson Raman. Ao final de cada uma delas, o público aplaudia entusiasticamente.

A atriz Fernanda Montenegro era uma das mais entusiasmadas entre os artistas, que ocupavam as primeiras filas em sua grande maioria. "Bravo! Bravo!", gritava ela. Ao final, enquanto Bibi Ferreira agradecia, emocionada, ao público, dizendo-se orgulhosa por poder contar com platéia tão estrelada. "Você é quem nos enche de orgulho!", gritou Fernanda, puxando mais um coro de aplausos emocionados. "Esta foi uma noite inesquecível. E que vai ficar para sempre", disse Bibi, sumindo logo em seguida pelas coxias.

 

Bibi, uma artista incansável

Mesmo aos 81 anos de idade, Bibi Ferreira não dá sinais de cansaço - para alegria de seus inúmeros fãs. Seu novo espetáculo "Bibi In Concert 3" tem pré-estréia marcada para o mês de maio, em Brasília. A estréia nacional será em Florianópolis (SC).

Segundo Nilson Raman, empresário de Bibi, o repertório do novo espetáculo da cantora é bem variado. Há um pot-pourri de canções de Antônio Maria e Dolores Duran, uma outra seleção de tangos, árias de óperas, ainda relembra sucessos, além de retomar os momentos cênicos.

Bibi Ferreira parece estar tão à vontade para voltar aos palcos com novo espetáculo que compôs até mesmo um rap. "Na verdade, é uma crítica sobre o quanto estão detonando a língua portuguesa", adianta Nilson.

O empresário conta que muitos outros planos estão em andamento, como a gravação de um CD só de tangos a ser lançado pelo selo de Maria Bethânia, o Quitanda. "Bibi In Concert 3" também deverá ser transformado em DVD, segundo Nilson Raman.

"Ela não dá chances de parar. Não pensa nisso. Bibi já está preparando um concerto só com músicas natalinas", revela o empresário, que diz ter o registro da diva cantando junto com a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte no espetáculo "Amália", em homenagem à cantora portuguesa.

No final do show, Bibi Ferreira recebeu os cumprimentos dos amigos e parentes, artistas ou não. Apresentada à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, ela garantiu. "Vou levar novidades para Natal."

Nilson Raman, sócio de Marcus Montenegro na empresa Montenegro & Raman, trabalha com Bibi desde 1991, mas diz ter sido apresentado a ela quando tinha 25 anos de idade. Bibi é o maior nome do 'casting' da empresa. "Bibi é muito digna; muito carinhosa", diz ele.

 

Coquetel

A celebração continuou após o show, no coquetel de lançamento da fotobiografia "Bibi Ferreira - Uma Vida no Palco", realizado na cobertura do prédio do consulado francês. Os convidados esperavam ansiosos a chega da grande estrela da noite. Após uma homenagem de Nilson Raman, Bibi falou ao microfone. "Eu só acho que se eu consegui tudo isso que ela falou é porque sou uma boa pessoa", disse bem-humorada.

Sobre ela, Fernanda Montenegro, outra grande dama do teatro brasileiro disse: "Bibi Ferreira é um nome único na cena brasileira. Ela dirige muito bem, canta muito bem, ilumina muito bem, faz tudo muito bem", disse a atriz de "Central do Brasil", que aposta no Oscar de montagem para o filme "Cidade de Deus".

 

 Por Isaac Ribeiro -  O repórter viajou a convite do evento.

Foto: Rogério Vital

3 de fevereiro de 2004 

Tribuna do Norte - Natal

 

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