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Ouvir Bibi é um
grande privilégio
José
Maurício Machline
Algumas vezes a vida nos proporciona momentos de uma emoção e
de uma importância tão fortes que deveríamos desenvolver um método
de poder registrar aquilo internamente, com uma fidelidade
absoluta.
A emoção seria medida com um determinado sensor, tão apurado,
que apenas com uma medida superior a tantas lágrimas ou a
apertos cardíacos se teria a chance de reviver aqueles
instantes.
Claro que existem meios técnicos para isso - cinema, DVD, vídeo
etc. Não estou falando de registrar apenas a imagem ou o som,
é muito mais que isso, eu falo das emoções, dos sentimentos
que acontecem infelizmente poucas vezes na nossa existência
(por sinal a gravadora Biscoito Fino registrou o espetáculo).
O que aconteceu, há alguns dias, no Teatro Maison de France,
com Bibi Ferreira cantando canções da Edith Piaf, foi com toda
certeza um desses raros momentos.
Impressionantes a segurança e a capacidade de encantar e
emocionar as pessoas que esta senhora possui.
Logo na sua entrada a platéia levantou-se e a aplaudiu
intensamente em pé, demonstrando admiração e respeito por
aquela artista de qualidades e talentos inesgotáveis.
Aí Bibi foi desfiando as canções mais importantes do repertório
da intérprete francesa, com um desempenho tão cuidadoso, com
uma destreza tamanha e com uma emoção tão forte e sincera que
as pessoas iam ficando cada vez mais tomadas pela atmosfera que
a atriz levou ao palco naquela noite - e nem as intervenções
do narrador atrapalharam a perfeição do show.
Cada canção apresentada trazia consigo uma reação emocionada
e calorosa da platéia, que naquela noite estava repleta de
personalidades e colegas importantes de Bibi Ferreira: Fernanda
Montenegro, Natália Thimberg, Sérgio Brito, Nicete Bruno com
Paulo Goulart, Othon Bastos, Ana Botafogo, filha, netos e
bisnetos da diva e muitos franceses encantados com a pronúncia
e com a interpretação da cantora. O espetáculo acabou com a
platéia exigindo bis, aplaudindo por vários minutos,
até que a diva voltou à cena - e durante todo o seu retorno
aquele público permaneceu em pé e aplaudindo, em sinal total
de reverência e de admiração.
Numa noite de maio de 1983, no Teatro Ginástico, com direção
de Flávio Rangel, pela primeira vez Bibi apresentou Piaf. Foi
surpreendente e mágico. É incrível que, 20 anos depois, a
mesma atriz (com todas as dificuldades inerentes ao acréscimo
das intempéries que a vida proporciona) volte aos palcos,
apresentando o mesmo repertório, cantando com uma afinação
impecável, sem demonstrar o menor desgaste físico e muito
menos vocal, segurando as notas e fazendo malabarismos discretos
e eficazes com a voz e com o corpo.
Em 20 anos, o fenômeno Bibi Ferreira nos demonstra um controle
e uma qualidade artística dignos das grandes divas do cinema
mundial.
Talvez a atividade ininterrupta seja responsável por estes
atributos todos. Bibi se mantém trabalhando ano após ano, não
só atuando, mas dirigindo peças e shows de colegas, que pedem
por seus sábios conselhos e conhecimentos incomparáveis sobre
a profissão de artista, nos seus mais diversos prismas.
Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira vez que vi Bibi
Ferreira cantar. Foi num teatro em São Paulo, onde aquela
mulher se apresentava num musical de Chico Buarque e Paulo
Pontes chamado Gota d'água. Aquela apresentação foi
suficiente para eu nunca mais ter esquecido do fascínio que
aquela atriz exerceu definitivamente naquele então adolescente.
Esta admiração me persegue carinhosa, intensamente, até hoje.
E com certeza se eternizará não só em mim, mas em todos
aqueles que respeitam e admiram a qualidade dos artistas
brasileiros.
Bibi Ferreira é um fenômeno de talento e conhecimento, que
ficará para sempre num lugar muito especial da história das
artes cênicas do Brasil.
Reproduzido da
Coluna Machline - JB Online
09/FEV/2004
"BIBI
FERREIRA CANTA PIAF" VIRA DVD
Show que atriz faz desde 83 será filmado em
duas sessões na Maison de France
Bibi Ferreira não deixa que a entrevista chegue
ao fim sem antes dar um recado:
— Quem gosta de me ver em cena como atriz não
precisa se preocupar. Em 2005, volto ao teatro
declamado com uma comédia — promete.
Os ingressos para espetáculos
já estão esgotados
Tanta preocupação tem sua razão de ser: em
2004, a atriz e diretora promete se dedicar
exclusivamente à música. A começar, nos próximos
dias 27 e 28, pela volta de “Bibi canta e conta
Piaf”. O espetáculo, que a atriz apresenta
desde maio de 1983, primeiro em formato teatral,
com direito a 14 atores em cena, e depois em
formato sinfônico, faz suas apresentações na
Maison de France. O objetivo é gravar o show para
que ele seja lançado em DVD ainda este ano pela
gravadora Biscoito Fino.
— Vai ser o meu primeiro DVD, o que é bom, mas
também me deixa nervosa, porque sei que o que eu
estiver fazendo vai ser eternizado e preciso tomar
mais cuidado — diz Bibi, que, nas duas apresentações
na Maison de France, já com ingressos esgotados,
será acompanhada pela Camerata Santa Tereza, com
19 músicos, e pelo coral de oito vozes do Núcleo
de Canto Elena Zanotti. — No DVD, teremos um
making of das apresentações e possivelmente
cenas da peça.
O formato, no entanto, é praticamente o mesmo que
o espetáculo assumiu em 1994, por ocasião da
reinauguração da Praça Paris, quando deixou de
ser teatral e passou a ser sinfônico. No palco,
Bibi interpreta sucessos da cantora francesa, como
“La foule”, “La ville inconnue”, “Mon
Dieu” e “Pendant, pendant”, enquanto Nilson
Raman, no papel de mestre-de-cerimônia, entremeia
as músicas com textos sobre a vida de Piaf.
— Acho que Piaf e Amália Rodrigues vão estar
sempre na minha vida — diz Bibi, que não vem
pensando em aposentar nem o show sobre a cantora
francesa, nem aquele em homenagem à fadista
portuguesa. — Não sei se o de Piaf é um papel
que as pessoas associam a mim, acho que veio na
hora certa. Mas tem gente que me prefere como Amália.
Está relacionado à cantora francesa um dos
projetos musicais em que Bibi promete investir em
2004: gravar um CD com canções que Piaf teria
selecionado para seu próximo disco e que nunca
chegou a gravar. E ainda há outro projeto de CD,
um apenas com gravações de tangos famosos.
Enquanto os dois projetos fonográficos, que também
devem sair pela Biscoito Fino ou pela Quitanda,
selo de Maria Bethânia, não saem do papel, ela
ensaia “Bibi in concert 3”, que estréia em
maio, em Brasília.
Jornal: O GLOBO
Segundo Caderno
23/01/2004
Bibi:
No teatro e na vida

A
vida de Bibi Ferreira confunde-se com a própria história do
teatro brasileiro. Filha de Procópio Ferreira, mestre na arte de
encenar, a atriz pisou no palco pela primeira vez quando ainda era
apenas um bebê - nunca mais parou. Seu talento, musicalidade e
magnetismo cênico poderão ser apreciados pelo público em DVD/CD
a partir de agosto, quando será lançado o show "Bibi Canta
Piaf", gravado ao vivo, na semana passada, no Rio de Janeiro.
No
último dia 28, a TRIBUNA DO NORTE esteve presente à sessão de
gravação do primeiro DVD da carreira de Bibi Ferreira, realizada
no Teatro Maison de France, na sede do consulado francês, Centro
do Rio - uma noite bastante concorrida, com a presença de
estrelas do teatro, cinema e televisão.
O
DVD comemora os 20 anos de sucesso absoluto de crítica e público
do espetáculo "Bibi Canta Piaf". No palco, Bibi estava
acompanhada por 19 músicos da Camerata Santa Tereza e por oito
vozes do coral do Núcleo de Canto Elena Zanotti.
Após
o show, foi lançada a fotobiografia "Bibi Ferreira - Uma
Vida no Palco", que conta a trajetória da atriz, cantora e
diretora através de imagens, fotos, cartazes e textos.
A
produção do espetáculo é da empresa carioca Montenegro &
Raman, que inclusive já trouxe Bibi a Natal para cantar o repertório
da antológica cantora francesa, acompanhada pela Orquestra Sinfônica
do Rio Grande do Norte e Madrigal da UFRN, em concerto natalino
realizado em 2000, à frente do Palácio da Cultura - e ainda em
anos posteriores, com outros espetáculos.
Além
de cantar e interpretar Edith Piaf, Bibi Ferreira ainda é responsável
pela direção geral do espetáculo sobre a vida de Piaf.
Uma
festa de amigos no Maison de France
Antes
do início do show, o salão do Maison de France foi ponto de
encontro para muitas celebridades. Parecia até uma confraternização,
tantos eram os beijos e abraços. Foram prestigiar Bibi Ferreira,
estrelas como as atrizes Fernanda Montenegro, Natália Timberg,
Ida Gomes, Eva Todor, Carla Marins, Nicete Bruno, Lisa Vieira,
Vera Gimenez, Isabela Garcia, Rosa Maria Murtinho; os atores Paulo
Goulart, Sérgio Brito, Othon Bastos; a novelista Glória Perez;
as bailarinas Ana Botafogo e Márcia Haydée; o músico Jacques
Morelembaum; e o empresário produtor musical José Maurício
Machline (Prêmio Tim de Música, ex-Prêmio Sharp).
O
Show
Após
uma introdução com orquestra e coral, Bibi Ferreira entra em
cena ovacionada, sendo aplaudida de pé pela platéia. Vestindo
preto e azul real, ela passa a interpretar canções clássicas de
Edith Piaf, sendo ponteada pela narração elegante de Nilson
Raman, que conta detalhes da conturbada carreira da mais celebrada
cantora francesa, cheia de sucessos e tragédias. Um por um, Bibi
vai interpretando os principais sucessos de Piaf e, dependendo do
teor da canção, sua face era iluminada por um riso contagiante
ou pela expressão pesada do desapontamento.
Com
impressionante desempenho vocal e total domínio sobre músicos e
platéia, Bibi Ferreira protagoniza um espetáculo curto, mas
inesquecível - já apresentado inclusive em Portugal e em Paris,
onde recebeu várias homenagens, prêmios e condecorações.
Bibi
não é de estatura alta, mas em cena transforma-se; vira uma
gigante. Impressionante. Entre as canções do repertório estão
"La Foule", "La Ville Inconnue",
"Milord", "Non, Je Ne Regrette Rien",
"Bravo Por Le Clown", "La Vie En Rose". Para
cada canção, uma narrativa de Nilson Raman. Ao final de cada uma
delas, o público aplaudia entusiasticamente.
A
atriz Fernanda Montenegro era uma das mais entusiasmadas entre os
artistas, que ocupavam as primeiras filas em sua grande maioria.
"Bravo! Bravo!", gritava ela. Ao final, enquanto Bibi
Ferreira agradecia, emocionada, ao público, dizendo-se orgulhosa
por poder contar com platéia tão estrelada. "Você é quem
nos enche de orgulho!", gritou Fernanda, puxando mais um coro
de aplausos emocionados. "Esta foi uma noite inesquecível. E
que vai ficar para sempre", disse Bibi, sumindo logo em
seguida pelas coxias.
Bibi,
uma artista incansável
Mesmo
aos 81 anos de idade, Bibi Ferreira não dá sinais de cansaço -
para alegria de seus inúmeros fãs. Seu novo espetáculo
"Bibi In Concert 3" tem pré-estréia marcada para o mês
de maio, em Brasília. A estréia nacional será em Florianópolis
(SC).
Segundo
Nilson Raman, empresário de Bibi, o repertório do novo espetáculo
da cantora é bem variado. Há um pot-pourri de canções de Antônio
Maria e Dolores Duran, uma outra seleção de tangos, árias de óperas,
ainda relembra sucessos, além de retomar os momentos cênicos.
Bibi
Ferreira parece estar tão à vontade para voltar aos palcos com
novo espetáculo que compôs até mesmo um rap. "Na verdade,
é uma crítica sobre o quanto estão detonando a língua
portuguesa", adianta Nilson.
O
empresário conta que muitos outros planos estão em andamento,
como a gravação de um CD só de tangos a ser lançado pelo selo
de Maria Bethânia, o Quitanda. "Bibi In Concert 3" também
deverá ser transformado em DVD, segundo Nilson Raman.
"Ela
não dá chances de parar. Não pensa nisso. Bibi já está
preparando um concerto só com músicas natalinas", revela o
empresário, que diz ter o registro da diva cantando junto com a
Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte no espetáculo
"Amália", em homenagem à cantora portuguesa.
No
final do show, Bibi Ferreira recebeu os cumprimentos dos amigos e
parentes, artistas ou não. Apresentada à reportagem da TRIBUNA
DO NORTE, ela garantiu. "Vou levar novidades para
Natal."
Nilson
Raman, sócio de Marcus Montenegro na empresa Montenegro &
Raman, trabalha com Bibi desde 1991, mas diz ter sido apresentado
a ela quando tinha 25 anos de idade. Bibi é o maior nome do
'casting' da empresa. "Bibi é muito digna; muito
carinhosa", diz ele.
Coquetel
A
celebração continuou após o show, no coquetel de lançamento da
fotobiografia "Bibi Ferreira - Uma Vida no Palco",
realizado na cobertura do prédio do consulado francês. Os
convidados esperavam ansiosos a chega da grande estrela da noite.
Após uma homenagem de Nilson Raman, Bibi falou ao microfone.
"Eu só acho que se eu consegui tudo isso que ela falou é
porque sou uma boa pessoa", disse bem-humorada.
Sobre
ela, Fernanda Montenegro, outra grande dama do teatro brasileiro
disse: "Bibi Ferreira é um nome único na cena brasileira.
Ela dirige muito bem, canta muito bem, ilumina muito bem, faz tudo
muito bem", disse a atriz de "Central do Brasil",
que aposta no Oscar de montagem para o filme "Cidade de
Deus".
Por
Isaac Ribeiro - O repórter viajou a convite do evento.
Foto:
Rogério Vital
3
de fevereiro de 2004
Tribuna
do Norte - Natal
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