Bibi Ferreira revê carreira

Diário de Natal 20/12/02

José Soares Jr. - Repórter 


Foto Marcelo Barroso. Diferente dos anos anteriores, quando o público local viu Bibi Ferreira interpretar músicas de outras cantoras, desta vez a atriz, diretora e intérprete, montou um espetáculo próprio para Natal intitulado "Bibi Muito Especial", que será realizado amanhã, às 20 h, no anfiteatro da praça Cívica do Campus Universitário. Hoje o espetáculo é para convidados da Cosern, a patrocinadora do evento.
O show reúne canções de três dos seus mais importantes espetáculos, o "Bibi in Concert", apresentado com Gracindo Jr., em que ela canta o cancioneiro brasileiro, o "Bibi vive Amália", e o "Bibi canta e conta Piaf", ambos apresentados em Natal nos anos de 2001 e 2000, respectivamente.
Esta será sua terceira apresentação em anos consecutivos em Natal, além de shows realizados em anos anteriores. Em entrevista, a cantora lembrou que vem à Natal desde a década de 40, então ainda acompanhada do pai, Procópio Ferreira.
Esta será, contudo, a primeira vez que ela cantará acompanhada por dois corais e pela Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte. Os corais são o Madrigal, da UFRN e o coral da Cosern.
O espetáculo resgatará peças musicais que a acompanham há 45 anos, incluindo músicas dos tempos em que ela cantava na revista portuguesa, quando vivia em Lisboa. "É muito difícil cantar estando acompanhada de uma sinfônica", disse Bibi, revelando que a atual montagem inédita foi um presente que ela quis dar a cidade, que a acolheu inúmeras vezes. .
Ela lembrou que durante vários anos ficou cantando e interpretando sucesso de outras cantoras internacionais (Edith Piaf, Amália) e que agora ela seria apenas Bibi, incluindo na sua apresentação canções da música popular brasileira, que ela afirma ter muito apreço. "Desta vez, serei eu mesmo", exclama a cantora, que chegou em Natal desde a última terça-feira.
Segundo o produtor do espetáculo, Nilson Raman, o show terá uma narrativa onde se mesclará a música e interlocuções de Raman à Bibi, que será indagada sobre várias passagens de sua vida artística, tendo em vista que ela ainda está comemorando seus 60 anos de carreira, desde o ano passado. Ela começou sua vida artística em 1941 e atualmente se encontra com 80 anos de idade.
Cerca de 15 músicos vieram do Rio de Janeiro para se integrar a Orquestra e aos corais que participarão da apresentação. Ao todo, serão 60 músicos no palco mais 71 coralistas e os músicos cariocas. Diferente dos anos anteriores, este ano o palco está mais baixo e mais próximo do público
No repertório de "Bibi Muito Especial" vão estar presentes músicas do cancioneiro brasileiro a exemplo de "Mulher Rendeira", "Quando bate o coração", além de uma compilação de músicas dos compositores Antônio Maria e Dolores Duran, entre elas "Noite de Paz", "Por Causa de Você" e "Foi a Noite" e "Demais".
Como não poderia deixa de ser, algumas canções de Amália Rodrigues e de Piaf também estarão presentes no repertório, pois são duas expoentes que marcaram a carreira musical de Bibi Ferreira.
Este será o quarto ano que Bibi se apresenta a frente da Orquestra Sinfônica de Natal. Além da cidade de Belo Horizonte, a capital potiguar é a única a manter projeto semelhante. "Nossa intenção é de tornar este espetáculo permanente, trazendo todos os anos, cantoras de grande expressão pública", declara o produtor Nilson Raman. Hoje, Bibi Ferreira se apresenta em espetáculo fechado à convidados no Teatro Alberto Maranhão.
Aos 80 anos, Bibi Ferreira não quer parar de produzir
Bibi Ferreira chegou na cidade na última terça, acompanhada do produtor Nilson Raman. Na ocasião, ela concedeu entrevista coletiva à imprensa, logo depois do desembarque na cidade. "Depois de todos estes anos, é como se ela fosse da nossa família", diz Pedro Nebreda, presidente da Cosern, empresa que sempre patrocina a vinda de Bibi através das leis de incentivo à cultura.
O produtor Nilson Raman lembrou que ela já faz parte da história cultural da cidade e "a prova disso são as fotos que existem nas paredes do Teatro Alberto Maranhão, dos fundadores do teatro, de Bidu Sayão e de Bibi Ferreira". Dividida entre sua atuação no teatro, onde anualmente dirige peças e musicais, e participa de turnês musicais no Brasil e na Europa, Bibi Ferreira considera que até fevereiro encerra um ciclo de sua vida, quando será tema-enredo da escola de samba carioca Viradouro, que desfilará no Sambódromo, com carros alegóricos que contarão sua trajetória artística.
Leia abaixo alguns de seus depoimentos durante a entrevista realizada esta semana, em Natal.
"Já fiz muita coisa por aqui. Me lembro do meu pai, Procópio Ferreira, que tinha um grande apreço por Natal. Durante a ditadura, uma peça dele, que foi proibida em todo o País, foi exibida aqui e ele nunca esqueceu disso".
"Há 12 anos sou Joana, em Medéia, sou Piaf, sou Amália. Desta vez sou eu mesma".
"A roupa deste espetáculo também será linda. (risos). Esta é uma das primeiras informações que as mulheres primeiro querem saber."
"Este show é a finalização de um compromisso com as grandes turnês".
"Não dirijo peças com microfones de lapela".
"Se ainda tiver voz em 2003 eu não encerro a minha carreira de cantora não. Acho que talvez encerre em 2004 quando faremos o espetáculo ‘O retorno da Múmia(risos).
"Como sou de família de língua espanhola cresci ouvindo tangos em minha casa e por isso eles estão presentes neste repertório"
Sou mais atriz do que cantora, por causa deste dom que Deus me deu".


Bibi Ferreira apresenta novo show em Natal no sábado

Diário de Natal

18 de dezembrode 2002

 

Aos 80 anos de idade, mas com disposição de uma jovem para percorrer o País fazendo shows, Bibi Ferreira está em Natal onde realiza, pelo terceiro ano consecutivo, o concerto de final de ano acompanhada da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte. Desta vez ela montou um espetáculo inédito para ser apresentado na cidade, Bibi Muito Especial, e também contará com a participação do Madrigal da UFRN e do Coral da Cosern. O evento será no próximo sábado, no anfiteatro da UFRN, a partir das 19h30.

Durante entrevista concedida à imprensa, na tarde de ontem, Bibi afirmou que depois de 12 anos interpretando diversos personagens no palco, no próximo sábado ela será Bibi Ferreira. ‘‘Há 12 anos que não sou Bibi. Esse show será uma grande entrevista, quando o público poderá me perguntar o que quiser. Será a chance de saber coisas ao meu respeito’’, garante. As músicas do espetáculo serão costuradas pela entrevista conduzida por seu empresário e produtor Nilson Raman.

No roteiro deste espetáculo, que foi elaborado pela própria Bibi, além dos sucessos que fazem parte de sua carreira e do pout-pourri de Edith Piaf e de Amália Rodrigues, que foram os personagens de seus dois últimos shows, ela também interpretará música brasileira. ‘‘Depois de muito tempo interpretando portuguesas, francesas, inglesas, irei cantar música popular brasileira, em especial Tom Jobim. Pela primeira vez também irei cantar tango, que é a música que sempre escutei em minha casa, pois venho de uma família de língua espanhola’’.

O concerto de Bibi será aberto por um pa de deux de Dom Quixote, em seguida o maestro Oswald D’Amore rege um sexteto que interpretará Piazolla. Existe ainda a possibilidade de Bibi, que foi agraciada com o título Doutor Honoris Causa da UFRN, receber a homenagem pouco antes de subir no palco. O espetáculo reunirá 60 músicos, 40 vozes do Madrigal da UFRN e 31 vozes do Coral da Cosern. Também fazem parte da organização 15 pessoas da equipe de Bibi.


 

“ Há doze anos não sou Bibi"

 

Bibi canta sua vida em Natal

Diário de Natal

19 de dezembrode 2002

 

Nutrindo um profundo carinho por Natal, a dama do teatro brasileiro, Bibi Ferreira, está na cidade se preparando para o terceiro concerto de final de ano, que promoverá ao ar livre e em parceria com a Cosern, para os natalenses.

Este ano o evento está cheio de novidades, a diva montou um espetáculo inédito Bibi Muito Especial, no qual interpretará canções que marcaram toda a sua trajetória artística que já dura 60 anos. Embora o show reúna músicas de seus mais importantes espetáculos Bibi in Concert, Bibi vive Amália Rodrigues e Bibi Canta e Conta Piaf, ela garante que não interpretará ninguém, se apresentará ao público potiguar como Bibi Ferreira, ‘‘Há 12 anos não sou Bibi. Sempre estou interpretado algum personagem como Amália Rodrigues, Edith Piaf’’, comenta durante entrevista coletiva que concedeu à imprensa. A apresentação será no próximo sábado, a partir das 19h30, no anfiteatro da UFRN, e também marcará o encerramento das atividades artísticas de Bibi em 2002.

No palco Bibi será acompanhada pela Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, pelo Madrigal da UFRN e pelo Coral da Cosern. O show será costurado por uma grande entrevista, cujo condutor será o produtor do espetáculo Nilson Raman.

Ele fará o papel de entrevistador para que Bibi converse com a platéia e conte os casos que marcaram sua vida. ‘‘O público poderá me perguntar o que quiser. Será uma oportunidade para saber mais sobre Bibi, sobre a minha carreira’’. Ela também interpretará canções da música popular brasileira e pela primeira vez cantará um tango. ‘‘Cantarei tango que foi a música que sempre escutei em minha casa, sou de família de língua espanhola. O tango desapareceu depois de Piazolla’’.

Bibi também fez questão de lembrar o figurino que estará vestida, ‘‘O vestido é uma beleza, a roupa é linda. Também estarei muito bem acompanhada no palco. Será uma coleção de gente maravilhosa’’. O show vai iniciar com um diálogo entre Bibi e Nilson, em seguida vem as perguntas e ela recita um trecho da poesia Canção do Exílio, de Gonçalves Dias e pede para que o público recite junto com ela. Usando a sua versatilidade, ela cantará a poesia no ritmo do Samba de uma nota só, de Tom Jobim. ‘‘Tudo dependerá do público’’, afirma Bibi sobre o espetáculo foi totalmente criado por ela.

Durante a sua entrevista foi fácil perceber a paixão que Bibi tem por Natal. Foi aqui que ela apresentou Bibi vive Amália, pela primeira vez acompanhada com Orquestra Sinfônica, e também foi Natal que recebeu o espetáculo Manabá, de seu pai Procópio Ferreira, durante o regime militar, depois da peça ter sido censurada em todo o País, ‘‘Aqui o espetáculo foi reconhecido como sólido e inteligente. São essas coisas que ficam’’. Outro fato que a deixa lisonjeada é o fato de existe no Teatro Alberto Maranhão uma homenagem ao seu pai e outra a ela, reconhecendo Bibi como uma grande atriz, datada de 1955. ‘‘No primeiro concerto que fiz em Natal, em 2000, eu já havia terminado o show e feito o biz. A platéia começou, espontaneamente, a canta A gota d’água. Tomei um susto e tive uma emoção muito forte’’, comenta.


Com relação a deixar os palcos em 2003, com o espetáculo Bibi in concert III, ela responde, ‘‘Enquanto tiver voz e achar que estou fazendo o que aprendi e o que meu pai me ensinou, estarei no palco. Enquanto estiver grandiosa em cena e os vestidos me caírem bem, estarei seguindo a minha profissão. Em 2004 farei O retorno da múmia, em 2005 A vingança da platéia’’, brinca em meio a risos. Após o carnaval, quando será tema da escola de samba Viradouro, Bibi lançará sua fotobiografia, o que marcará o encerramento das comemorações de 60 anos de carreira da atriz e cantora.


 

 

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