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BIBI FERREIRA
– A ENCANTADA
Há muitos anos venho tentando fazer das palavras escritas a minha arte; já
gravei prosas e versos; livros, jornais, revistas, rádios, televisão,
computador, já se abriram para a minha ousadia. Bibi Ferreira!...É
preciso mais do que coragem para escrever a seu respeito. Como desenhar
com palavras uma mulher encantada? Por ter sido seu parceiro nos palcos e
sob sua direção, escrevo com absoluta certeza do seu incomparável poder
de comunicação, do seu extraordinário talento para alegrar e comover
pessoas. A cada peça que representávamos, "Lolita", "O
Noviço", "Beija-me e verás", "Madame Bovary" e
outras em que participei, não éramos apenas artistas; éramos satélites
em torno da grande estrela; éramos platéia também, aplaudindo a atriz
encantada. Hoje, apesar dos anos idos, quando minha memória navega nas
ondas das lembranças e revive o meu mundo nos palcos e bastidores, a
presença de Bibi Ferreira é viva com todo o seu encantamento. A Atriz, a
Diretora, lapidava os seus espetáculos em todos os seus aspectos
particulares; a jóia refulgia contagiando todo o universo da Arte.
"Será que esta é a minha casa?!" Era a fala que, como Charles
Bovary, eu abria o espetáculo "Madame Bovary" a cada representação.
(Lembra-se, Bibi?) Hoje, a casa está vazia e, paradoxalmente, habitada
pela saudade e pela grande admiração e respeito que sempre devotei à
Bibi Ferreira.
Hoje,
mais perto da dobra da vida, vivendo a realidade atual, por vezes, sinto
um nó na garganta; vontade danada de chorar provocada pela saudade dos
companheiros da ribalta; do cheiro da maquiagem, das cortinas se abrindo e
se fechando; dos aplausos das platéias; da doce e sadia boemia após cada
espetáculo; e nesse imenso universo da saudade, a doce e inesquecível
imagem da grande dama do teatro brasileiro engastada na minha memória: a
encantada Bibi Ferreira!
Bibi Ferreira e
Jorge Nepomuceno em "Madame Bovary".
Fotos
gentilmente cedidas por Munir Zalaf (Jorge Nepomuceno)
Homepage: http://m.zalaf.sites.uol.com.br/
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