Uma paixão à moda portuguesa

 

 

Gustavo Autran - Revista Veja Rio - 11/06/2001

Foto de Guga Melgar.

 

 

 

Quando alguém pergunta para a atriz Bibi Ferreira de onde surgiu seu apreço pela obra da cantora Amália Rodrigues (1920-1979), a resposta vem à queima-roupa: "Você sabe o dia e a hora em que a gente se apaixona? Pois é. É sentimento que vem desde não sei quando", conta. Sua paixão pela rainha do fado português não teve dia nem hora para se manifestar, mas o projeto de homenageá-la teve data marcada. Nasceu em 1999, por sugestão da própria Amália, que ficou encantada com a performance de Bibi no musical sobre Edith Piaf.

 

O pedido virou uma ordem para a atriz, que volta a mostrar Bibi Vive Amália, em temporada popular, no Teatro João Caetano.

Popular porque os ingressos mais caros para a estréia, na casa de eventos Ribalta, na Barra, chegaram à bagatela de R$ 100,00.

A produção do espetáculo está à altura do estilo exigente e perfeccionista de Bibi Ferreira, que divide o palco com seis músicos. Um deles, o guitarrista Carlos Gonçalves, tocou com Amália por mais de trinta anos e também assina algumas parcerias com a cantora. O roteiro de 23 músicas é costurado por frases de autoria da própria homenageada, extraídas de jornais, revistas e documentários. O texto será dito em português com sotaque lusitano. O repertório inclui clássicos como Foi Deus, Perseguição e Lágrima. As letras cheias de lamentação só têm enchido de alegria a artista, que está comemorando sessenta anos de palco. "Fiquei desnorteada com a reação do público. Os brasileiros costumam ridicularizar o sotaque português. Mas não tinha como dar errado. Estudei esse show sílaba por sílaba", diz Bibi.

TEATRO JOÃO CAETANO (1 222 lugares). Praça Tiradentes, s/nº.

 

 

     

 

 

Suas impressões 

 

 

 

"Coimbra", arquivo midi que você ouve ao fundo, foi seqüenciado por Fernando de Brito Vintém (http://www.midiportugal.com/) e faz parte do espetáculo "Bibi vive Amália".