Uma noite com Bibi Ferreira

 

Foto Guga Melgar.


Luiz F. Quirino



Meu Deus! O tempo passa tão rapidamente que a gente perde a noção de quanto e como nós vivemos no passado. Dizem Gardel e o brasileiro Le Pera no tango "Volver", que "vinte años nos es nada". E não é mesmo.

A última vez que vi Bibi Ferreira se apresentando num palco (e tenho o libreto até hoje) foi no Rio de Janeiro, Teatro Carlos Gomes, na belíssima e inesquecível apresentação dela e Paulo Autran, em "My Fair Lady".

Para quem não sabe, foi um dos raros momentos do teatro brasileiro em que ele conseguiu transferir a Broadway para o Rio de Janeiro. Montar "My Fair Lady", com aqueles cenários, aquele guarda-roupa de homens e mulheres elegantíisimos de Londres, onde se passa a história era, simplesmente, uma loucura. Se o público não comparecesse, o prejuízo seria incalculável. Um elenco fabuloso no palco e uma orquestra completa ofereciam aos cariocas o que eles somente poderiam ver se fossem aos Estados Unidos.

Assisti Procópio Ferreira. Um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos. Não era um galã bonitão, mas que no palco, interpretando peças de autores brasileiros ou internacionais, se tornava belo e cativante. Procópio só não é conhecido pelos jovens leitores desta crônica diária porque, realmente, o Brasil não tem memória. Aposto que se tivesse nascido aqui, trabalhado aqui, Charles Chaplin já teria sido esquecido há trinta anos.

Bibi é filha de Procópio. Mas naquele tempo não tinha esse negócio do pai famoso impingir os filhos aos seus admiradores. Bibi nasceu com talento. Não tem o estilo do pai e nem faz o que ele fazia. Bibi é ela mesma. E seria uma das glórias do teatro (onde atua com maior freqüência), filha ou não de um consagrado artista aclamado em sua época.

Bibi já interpretou Edith Piaf, conhecida no Brasil graças ao poema com que Odayr Marsano fez a versão para "Hino ao Amor". Bibi tem aquele sotaque de francesa. Não se sabe herdado de quem. Aquele "erre" que marca Elizeth Cardoso. Parece que hoje à noite Bibi Ferreira estará apresentando sua nova criação: a vida e os fados imortais de Amalia Rodrigues. É uma oportunidade única para você se convencer de que ,talento não tem idade. Que uma vida não é nada e que não se pode deixar de ver Bibi Ferreira.


 

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