A última vez que
vi Bibi Ferreira se apresentando num palco (e tenho o libreto até
hoje) foi no Rio de Janeiro, Teatro Carlos Gomes, na belíssima e
inesquecível apresentação dela e Paulo Autran, em "My Fair
Lady".
Para quem não
sabe, foi um dos raros momentos do teatro brasileiro em que ele
conseguiu transferir a Broadway para o Rio de Janeiro. Montar "My
Fair Lady", com aqueles cenários, aquele guarda-roupa de homens
e mulheres elegantíisimos de Londres, onde se passa a história era,
simplesmente, uma loucura. Se o público não comparecesse, o prejuízo
seria incalculável. Um elenco fabuloso no palco e uma orquestra
completa ofereciam aos cariocas o que eles somente poderiam ver se
fossem aos Estados Unidos.
Assisti Procópio
Ferreira. Um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos. Não
era um galã bonitão, mas que no palco, interpretando peças de
autores brasileiros ou internacionais, se tornava belo e cativante.
Procópio só não é conhecido pelos jovens leitores desta crônica
diária porque, realmente, o Brasil não tem memória. Aposto que se
tivesse nascido aqui, trabalhado aqui, Charles Chaplin já teria sido
esquecido há trinta anos.
Bibi é filha de
Procópio. Mas naquele tempo não tinha esse negócio do pai famoso
impingir os filhos aos seus admiradores. Bibi nasceu com talento. Não
tem o estilo do pai e nem faz o que ele fazia. Bibi é ela mesma. E
seria uma das glórias do teatro (onde atua com maior freqüência),
filha ou não de um consagrado artista aclamado em sua época.
Bibi já
interpretou Edith Piaf, conhecida no Brasil graças ao poema com que
Odayr Marsano fez a versão para "Hino ao Amor". Bibi tem
aquele sotaque de francesa. Não se sabe herdado de quem. Aquele
"erre" que marca Elizeth Cardoso. Parece que hoje à noite
Bibi Ferreira estará apresentando sua nova criação: a vida e os
fados imortais de Amalia Rodrigues. É uma oportunidade única para
você se convencer de que ,talento não tem idade. Que uma vida não
é nada e que não se pode deixar de ver Bibi Ferreira.