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"Bibi
vive Amália" em Espinho
Correio
da Manhã - Espinho
Bibi
Ferreira, um dos maiores nomes de sempre do teatro brasileiro,
inicia hoje a sua digressão nacional de apresentação do disco
“Bibi vive Amália”, com um espectáculo no Casino de
Espinho. A digressão encerra no dia 7 de Dezembro no Casino de
Vilamoura. Bibi não imita Amália, antes se confunde com o
carisma, com a presença, com a voz e com a memória daquela que
foi a maior intérprete do fado. Por isso, é já também uma
lenda viva, transmitindo, ao mesmo tempo, um cunho muito pessoal
a alguns dos momentos mais significativos da cultura portuguesa.
Bibi Ferreira vive, assim e agora, o que de mais sublime Amália
nos trouxe ao longo de décadas em que passeou a sua classe ímpar
e a idiossincrasia do fado por esse mundo fora. E, o que não
deixa de ser curioso, as duas divas jamais se conheceram
pessoalmente.
"Bibi
vive Amália" com serena beleza
Correio
da Manhã - Espinho

PORTO
(Delegação) - Em teatro, a fronteira que separa a caricatura da
transfiguração é tão ténue como estreita. Com a firme segurança
de quem tem 60 anos de palco, D. Abigail Izquierdo Ferreira
caminha airosa por esse frágil território no espectáculo
"Bibi Vive Amália", que anteontem seduziu o Casino de
Espinho, na estreia da mini-tournée portuguesa. A divina fadista
soma-se, assim, à atormentada Piaf, à suave Elisa de "My
Fair Lady" e à revoltada Joana de "Gota D'Água"
na galeria das heroínas criadas pela actriz brasileira Bibi
Ferreira. Quando se aproxima das oito décadas de vida, esta
grande senhora do teatro não faz "o público chorar",
mas na certa deixa a plateia emocionada com esta tocante lembrança
a Amália Rodrigues, que tem como mentor e autor o encenador
português Tiago Torres da Silva. Num formato que não se alonga
para além da hora e meia, Bibi interpreta alguns dos fados que
tornam perpétua a glória de Amália, entremeados pela narração
de um esboço (auto)biográfico, elaborado a partir de depoimentos
e declarações da cantora. Nesta apresentação, ficou patente
que "Amália" começou tensa a sua prestação, receando
talvez a reacção do público à audácia de viver a diva no seu
País natal. Se "Fadinho Serrano" ou "Quando Eu Era
Pequenina" se cobriram com o xaile da inibição, "Ai
Mouraria", "Perseguição" e "Barco
Negro" mostraram que a actriz já sulcava as águas da
serenidade. "Lisboa Antiga", "Lágrima" e
"Povo Que Lavas No Rio" evidenciaram que a estabilidade
da navegação no Salão Atlântico se anunciava, com "Amália"
entrando, à vontade, na casa da Mariquinhas para "dar de
beber a dor".
Saudade de
Itapoã
O poema "Saudades do Brasil em Portugal" - que Vinicius
de Moraes escreveu para a diva lisboeta - foi, de repente
recitado, como que fazendo a ponte para o repertório brasileiro
de Amália. Como acentuou Nilson Raman na narração, foi no
Brasil que Amália gravou em 1945 o seu primeiro disco, para a
etiqueta Continental, e começou a conquistar o reconhecimento dos
auditórios mundiais. "Lua Luar", envolto no embalo de
um harmonioso baião, e "Coqueiro de Itapoã" (de
Dorival Caymmi) simbolizaram todo o enlevo que Amália nutria pela
música do Brasil, país onde, recorde-se, se casou com o segundo
marido. Do "pot-pourri" internacional que Bibi e Tiago
inseriram no espectáculo saliente-se a versão dinâmica que a
actriz empresta a "Canzionne Per Te", que a voz de Sérgio
Endrigo transformou em êxito romântico. Nem "tudo isto é
fado", o que atesta a abrangência do gosto de Amália. Mas
Amália ainda é o outro nome do fado. Do seu hinário perene,
tivemos o prazer de recordar "Foi Deus" e "Nem às
Paredes Confesso", interpretações em que Bibi Ferreira
atinge o mais convincentes registos da homenagem. Se começou
tensa, terminou intensa. Os mais desavisados poderão julgar que
Bibi intenta com esta evocação fazer uma espécie de
"look-a-like", (tra)vestindo-se com jeitos e trejeitos
da figura representada, como é timbre de alguns números do
"music-hall". Fatal engano! O risco da caricatura, a
ameaça da cópia são evitados por mérito de um dos talentos
mais vulcânicos que (ainda) atravessa a cena brasileira. Embora não
tenha atingido o zénite da transfiguração, o desempenho de Bibi
Ferreira tende a manifestar os atributos de uma actriz que veste
os trajes da recriação e se furta aos ultrajes da imitação.
Sabendo que nunca poderia cantar como Amália, Bibi resiste à
empatia do envolvimento redutor e seguidista com o cânone da
fadista. Ela opta, portanto, por transformar a simpatia com a musa
num trabalho de construção de uma personagem teatral. Nesse
sentido não vemos uma cantora a cantar, mas antes uma actriz a
interpretar. Com ousadia, porém sem desfaçatez. Com reverência
à aura da diva, contudo sem submissão aos brilhos do ícone.
Presta tributo à língua portuguesa, sem arremedar o sotaque,
pecado cometido por inúmeros brasileiros quando tentam cantar
fado. Esse desvio (e desgaste) à pureza do ritual fadístico,
levou mesmo o encenador a não incluir "Estranha Forma de
Vida" no roteiro. Como lembra Tiago Torres da Silva, "é
muita fluída a linha que separa o ridículo do belo". Tal
como o grotesco por vezes submerge a beatitude. Bibi consegue
superar esses dilemas, fazendo com a ajuda de Carlos Gonçalves(guitarra),
Carlos Macieira (viola), Irene Mutanen (acordeón) e Jamir
Torres(bateria) uma nobre e elevada vénia à beleza e beatitude
do canto de Amália.
Texto: Daniel
Guerra
Fotos: Cristina Pinto e Pinto
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Bibi
Ferreira promete fazer o público chorar
Correio
da Manhã - Espinho

Maria
José Valério e Simone de Oliveira deslocaram-se expressamente
ao Hotel Sheraton para ver e falar com a grande Bibi Ferreira -
79 anos de vida, 60 de palco, de regresso ao nosso país para
dar corpo e alma à grande Amália. Referimo-nos ao espectáculo
“Bibi Vive Amália”, que depois de várias temporadas de
sucesso esfusiante no Brasil chega ao nosso país para uma
mini-tourné que começará no Casino de Espinho, passará pelo
Centro Cultural de Belém, pela Madeira e, finalmente, chegará
ao Casino de Vilamoura. Muito conversadora, Bibi perguntou aos
fotógrafos se queriam que pousasse e confessou que ficava
sempre acanhada perante as câmaras. “É estranho, não é?
Para uma artista que costuma estar diante de plateias de
milhares de pessoas...” Depois, começou a falar sobre este
espectáculo - escrito e encenado pelo português Tiago Torres
da Silva. Uma história que se conta em poucas palavras. Na
altura em que dirigia uma Revista à Portugesa no Parque Mayer,
Torres da Silva contactou Bibi para a convidar a integrar o
respectivo elenco. Por motivo de compromissos assumidos
anteriormente, não foi possível à actriz e cantora aceitar o
desafio, mas desde então os dois nunca mais perderam o
contacto, esperando uma oportunidade melhor para trabalharem
juntos. Até que esse momento chegou - na forma de um
concerto/homenagem a Amália Rodrigues. Foi a própria Amália
que expressou publicamente a vontade de ver Bibi a encarná-la
no palco, depois de a ver recriar Edith Piaf. Infelizmente, não
houve tempo para estrear o espectáculo a tempo da fadista
assistir à estreia. O argumento de “Bibi Vive Amália” é
composto por textos da autoria da própria - retirados das suas
várias entrevistas - e tem como foco temporal o tempo que a
artista viveu, e actuou, no Brasil. Enquanto um narrador recorda
a história de Amália, Bibi vai cantando os seus fados: desde
“Ai Mouraria” a “Povo que Lavas no Rio”, passando por
“Nem às Paredes Confesso”. E diz que as reacções do público
costumam ser delirantes. “As pessoas aderem de coração ao
espectáculo, que é o meu maior sucesso de sempre. Aqui em
Portugal, acho que muita gente vai chorar.”
A.M.R.
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