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Diário
de Natal - Coluna Viagem Insólita
Entrevista

Aos
79 anos, comemorando 60 de carreira, a diretora, atriz e cantora
de teatro Bibi Ferreira é generosa em matéria de bom-humor.
Quando não está trabalhando, seu hobby predileto é ‘‘não
fazer nada’’, ou então, ‘‘observar’’. Ela diz que
observa tudo à sua volta. O comportamento da governanta, os
tiques nervosos do neto.Tudo. Mas se engana quem pensa que a
diva do teatro brasileiro é fácil de se cansar. Desde julho
deste ano ela apresenta o espetáculo Bibi vive Amália em
cidades do sul, sudeste e nordeste brasileiros, além de
Portugal, onde foi aclamada pela interpretação de uma das
cantoras mais queridas daquele país: Amália Rodrigues. Pudera,
Bibi Ferreira transparece propriedade no que faz. E, como parece
gostar muito de dirigir, interpretar e cantar, ela já é a própria
representação do teatro brasileiro naquilo que ele tem de mais
significativo: a própria arte.
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Qual
a sua palavra favorita?
Sinceramente.
O que você nunca seria?
Médica
Qual é a melhor mentira?
Não minto.
Conte um segredo de viajante.
Não tem segredo não.
Qual o livro que você leu de um fôlego só e leria
novamente?
Nunca li um livro de um fôlego só. Agora, o primeiro livro que
eu li, foi Clarissa, de Érico Veríssimo, que meu pai me deu
para ler.
Que som você detesta?
A estática do rádio
Quem mais o influenciou?
Meu pai (Procópio Ferreira). Minha mãe - muito -, madame
Henriette Morineau e meu marido Carlos Laje.
Qual a melhor coisa do sexo?
Acho que os beijos né? A coisa em si é muito rápida.
Pessoas arrogantes e prepotentes merecem o que?
Digo que não mereçam nada. São cansativas. Arrogância e
prepotência isso é muito desagradável. A gente se afasta pelo
cansaço.
Você gosta de ouvir pessoas que não sabem ouvir?
Não. São cansativas também.
De que você tem medo?
Tenho medo da vida.
O que lhe seduz no jogo da criação?
O resultado final.
O que existe de melhor no seu lado escuro?
O meu lado escuro tem frivolidade e futilidade, mas isso
enfeita, porque eu sou muito séria. Minha parte escura tem
sisudez também. Quando eu me calo é porque eu não quero
brigar.
O imaginário lhe apavora?
Ao contrário. Tenho uma grande curiosidade. Sou aberta ao
imaginário.
Como você convive com seus sonhos?
Não os tendo. Sempre trabalhei muito. Tenho muito senso de
responsabilidade, portanto sonhar é uma coisa que me é
proibida. Agora, de vez em quando, quando me apaixono, acabo
sonhando. Mas a paixão não é um sonho, é um pesadelo. O bom
é estar apaixonado.
Qual a pior verdade?
Eu acho que existem algumas palavras que não deveriam ser
ditas. A gente não deve dizer tudo para um amigo, para não
correr o risco de magoá-los. Algumas palavras são
interditadas.
O que você acha do dinheiro?
Vou citar Millôr Fernandes: ‘‘O dinheiro não é tudo. Tudo
é a falta de dinheiro’’.
O que nunca deveria faltar?
Alegria
Quando você conta até dez?
Nunca conto até dez. No três eu já explodi
O que anda sobrando por aí?
Ignorância
O que a boca diz quando a alma grita?
Dor né?
Qual o mal deste início de século?
A ganância e o poder. Apesar que o homem sempre foi assim. O
pior é que o homem não muda.
O que dói em Natal?
Não tem nada para doer. Com essa vista toda, com esse mar
zangado. Meu Deus, não tem!
Em que situação você diz um palavrão?
Digo constantemente. Não precisa de ocasião, nem estar
zangada.
Quem você mandaria para o céu?
Isso é meio ruim, porque eu teria que matar alguém. Eu acho
que eu mandaria para o céu, Clara Nunes, Maysa, Carmem Miranda,
os grandes talentos.
E para o inferno?
Todos os ditadores, mandatários. Essa gente toda vai para o
inferno.
Se chegasse ao céu, qual seria a sua primeira palavra?
Quando é que começa o ensaio?
E se chegasse ao inferno?
Oba! Quanto conhecido!
Dezembro
de 2001
Suas
impressões
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