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Amália
Rodrigues, falecida em 6 de outubro de 1999, gostaria que, assim como viu
em Piaf, tivesse sua história cantada e contada por Bibi Ferreira. É o
que acontece agora, dois anos após o projeto cultural ter sido aprovado
pela Lei Rouanet. Comemorando 79 anos desde 1.º de junho, quando estreou
o espetáculo, com ele a atriz festeja também seus 60 anos dedicados ao
teatro. Nesse clima comemorativo, ela faz uma única apresentação hoje
em Curitiba.
Sob o
patrocínio da Brasil Telecom e da Petrobrás, fazem parte das comemorações,
além do novo espetáculo, uma exposição fotográfica, o lançamento de
uma fotobiografia e um documentário sobre sua carreira.
O
roteiro, textos e direção cênica são de Tiago Torres da Silva, poeta,
escritor, compositor e diretor, que desponta como um dos grandes talentos
da nova geração de artistas portugueses. Apesar da pouca idade (Tiago
tem 31 anos), seu talento é bastante reconhecido. Ele foi um grande amigo
de Amália, tendo sido seu companheiro nas turnês por todo o mundo por
quase seis anos.
A direção
musical e arranjos são de Nelson Melim, maestro e pianista de Bibi desde
1983. São suas as direções musicais e os arranjos do espetáculo Piaf -
A Vida de uma Estrela da Cançào, grande sucesso de Bibi de 1983 a 1990,
e sua posterior adaptação para o Bibi Canta e Conta Piaf. Em maio do ano
passado, quando o concerto foi apresentado em Paris, recolheu muitos
elogios ao seu trabalho.
Para a
estréia no Rio de Janeiro e a primeira etapa da turnê, compreendendo
Curitiba, Bibi recebe um convidado especial, o músico Carlos Gonçalves,
um dos mais expressivos guitarristas portugueses da atualidade, músico de
Amália por mais de 30 anos, e também seu parceiro em algumas composições
de muito sucesso, como Lágrima.
No
palco, Bibi é acompanhada pelo maestro Nelson Melin (piano), Vitor Lopes
(guitarra portuguesa), Silvino Pinheiro (violão), Álvaro Augusto (baixo-elétrico),
Jamir Torres (bateria) e Irene Mutanen (acordeon). A narrativa é feita
pelo ator Nilson Raman, que conta ao público todos os detalhes que fazem
a vida de Amália Rodrigues tão especial e diferente (Nilson é partner
de Bibi desde 1998.)
O
responsável pelo visual do palco é Alexandre Murucci. E os figurinos
foram criados e confeccionados por Francis Fabian, profissional de grande
experiência, que fez uma vasta pesquisa sobre os modelos usados por Amália
Rodrigues nas várias fases de sua carreira. Entre tantos trabalhos,
vestiu Amália em 1973 aqui no Brasil.
Curitiba
é a terceira capital a receber Bibi Canta Amália, que estreou no Rio de
Janeiro e inaugurou o Teatro Santo Agostinho em São Paulo. A turnê
prosseguirá até dezembro, sendo que em outubro Bibi Ferreira se
apresenta em Lisboa. A mostra fotográfica está agendada para o Museu
Nacional de Belas Artes, em agosto, quando também será lançada a
fotobiografia.
Matéria
do Jornal "O Estado do Paraná" - Curitiba - 20/06/2001
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Imenso
Portugal
O Guairão vai virar hoje, às 21h, uma grande casa portuguesa, com
certeza. Bibi Ferreira faz apresentação única do magistral "Bibi
Vive Amália", com o qual comemora sessenta anos de carreira. O
espetáculo, que vem encantando o público de todo o país, tem o apoio
da Brasil Telecom e da Petrobrás. No Paraná, leva a marca da
competente Verinha Walflor
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Aliás, Bibi acaba de ganhar um site em sua
homenagem e à cantora francesa Edith Piaf, que ela já interpretou nos
palcos. Trata-se do www.bibi-piaf.com
Coluna Ronaldo Bessa - GAZETA DO POVO - Curitiba -
20/07/2001.

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Amália,
para todo o sempre
Roberto
Nicolato
Amália
Rodrigues não foi apenas a maior cantora de fados de Portugal. Ela se
tornou uma lenda, a expressão máxima da cultura de um povo, que agora
se manifesta na interpretação bem cuidada de um dos nomes mais
representantivos do teatro brasileiro: Bibi Ferreira, 79.
Depois de se apresentar no Rio e São Paulo, a atriz e cantora traz a
Curitiba Bibi Vive Amália, um espetáculo que já vem respaldado pela
própria cantora portuguesa. Na temporada do espetáculo Piaf, a Vida de
uma Estrela da Canção, em Lisboa no final da década de 80, Amália
teria dito aos amigos: "Achei quem um dia poderá fazer minha
vida!".
Bibi e Amália não se conheceram, mas a admiração era mútua. Amália
assistiu a Piaf... pelo menos 12 vezes e sua música predileta era
"L'accordeniste". "Ela era a minha fã. Eu sabia que ela
estava no teatro porque as pessoas diziam: a Amália está aí vendo você
e a música que ela mais gosta é...", conta Bibi Ferreira.
O projeto de interpretar Amália – que inclusive teria uma participação
no espetáculo –, já estava totalmente formatado em 1999. Mas foi
cancelado naquele mesmo ano devido à morte da cantora. Os contatos
foram retomados no ano passado com o poeta e diretor de teatro Thiago da
Silva (que esteve no FTC com É o Mar, Alfonsina, É o Mar) e o espetáculo
chega agora ao público também para comemorar os 60 anos de carreira de
Bibi Ferreira.
A atriz sobe ao palco para interpretar 23 canções da fadista
portuguesa. "As jóias e as roupas são cópias do que Amália
usava, assim como o cabelo e a maquiagem". Bibi inclusive incorpora
em cena gestos característicos da cantora, como o de ajeitar o xale. O
espetáculo chega a Curitiba respaldado pelos aplausos do público e
pela crítica.
Abaixo,
a entrevista concedida ao Caderno G, por telefone.
Caderno G – Quais
os critérios que você utilizou para incorporar Amália no palco?
Bibi Ferreira – Foram muitos. Esse espetáculo é uma homenagem a Amália
Rodrigues, a Portugal e ao português, nosso idioma que é muito belo e
rico e esse é o ponto de partida para entender a beleza das músicas,
das letras e do texto que está no espetáculo. O texto é o que a Amália
falou. Foi retirado de entrevistas e documentários pelo Tiago da Silva,
meu diretor, e que durante 10 anos foi amigo de Amália. São frases
dela e isso é muito interessante.
Caderno G– Quando canta, você parece não buscar a imitação, mas a
interpretação...
Bibi Ferreira – Na interpretação a gente dá a emoção da canção
e o respeito a ela, é claro. Não é que minha voz se assemelhe à da
Amália, mas ela também tinha um voz grave e aí nos encontramos
bastante bem. E o repertório dela eu consigo cantar bem. Quer dizer, eu
alcanço.
Caderno G – Há muito tempo está estudando as canções?
Bibi Ferreira –Não. O meu estudo começou no carnaval deste ano. Mas
quando eu me envolvo com o espetáculo não faço mais nada. Não vou ao
cinema, a festas, a coisa nenhuma. Não fico tranqüila enquanto tudo não
estiver pronto.
Caderno G – Foi difícil interpretar as canções com o português de
Portugal?
Bibi Ferreira – O fato é procurar onde está emoção do artista. A
voz de Amália falando é uma voz empostada porque o português é mais
empostado falando que o brasileiro. Nós colocamos a voz cá embaixo. O
português não, o português, tu sabes, fala mais em cima, uma coisa
mais colocada, mais estudada e prolongada de uma certa forma... Foi meu
diretor que me ensinou sílaba por sílaba, um trabalho minucioso.
Caderno G – O que a Amália significa para a música no mundo?
Bibi Ferreira – Ela representa a melhor voz da música popular
mundial. É a número um em extensão, qualidade e em beleza. Ela também
é um ícone em Portugal e ninguém realmente pode cantar como Amália
Rodrigues cantou.
Caderno G – Então, a sua responsabilidade é muito grande...
Bibi Ferreira – É imensa. Eu canto 23 fados. Mas não são apenas
fados tristes, mas corridos. Inclusive canto música popular brasileira,
que é o que ela também fazia na abertura de alguns shows. Além disso,
o nosso time orquestral é estupendo e temos o Carlos Gonçalves que
trabalhou nos últimos 28 anos com a Amália. É maravilhoso, porque ele
é pessoa muito simples, muito criterioso e displicinado no trabalho.
Caderno G – Das canções de Amália, há alguma que você prefere
mais?
Bibi Ferreira – Eu gosto muito de "Lágrima", de autoria
dela com Carlos Gonçalves. Já fizemos o espetáculo no Rio e em São
Paulo e é muito bonito ver a platéia cantando tudo. Eles sabem o
repertório todo: "Nem às Paredes Confesso, "Tiro-Liro",
"Coimbra", "Lisboa Antiga", "Casa
Portuguesa"...
Caderno G – Para você, esse é seu maior trabalho?
Bibi Ferreira – Na opinião da minha filha é o meu maior trabalho.
Pra mim, de certa forma, o maior de um musical, talvez...
Gazeta
do Povo - Curitiba - 20 de junho de 2001
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