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Homenagem ao Fado
Correio Braziliense
Brasília, sexta-feira, 24
de maio de 2002
A atriz e cantora Bibi
Ferreira traz a Brasília o espetáculo em que revive os maiores
sucessos da portuguesa Amália Rodrigues
Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
Os portugueses têm verdadeira adoração
por Amália Rodrigues. Tratam-na como uma divindade e não
admitem nada que possa macular a imagem da cantora. No final do
ano passado, ao se apresentar no Centro Cultural de Belém, em
Lisboa, com o espetáculo Bibi Vive Amália, Bibi Ferreira subiu
ao palco temerosa.
A atriz brasileira receava receber críticas "dos bairristas e criteriosos lusitanos", na homenagem
à fadista. Estava enganada. Ao final da apresentação, as duas
mil pessoas que lotaram o lugar aplaudiram-na ininterruptamente durante dez minutos.
"Foi a
maior emoção da minha vida", afirma Bibi, em tempo de
comemoração de 60 anos de carreira.
Bibi vive Amália estreou em junho do ano passado no
Rio de Janeiro, inaugurando a Ribalta, casa de espetáculos na
Barra da Tijuca. No Rio cumpriu temporada, também, no Canecão
e no Teatro João Caetano, sempre com casa cheia. Curitiba,
Florianópolis, Porto Alegre e Natal foram outras capitais que
assistiram ao tributo. Em Portugal, além de Lisboa, passou por
Espinho (Porto), Vila Moura (Algarve) e Funchal (Ilha da
Madeira).
Amanhã, às 21h, será a vez do brasiliense
aplaudir a grande dama do teatro brasileiro em Amália. Dirigida
por Tiago Torres da Silva, Bibi tem a companhia de Victor Lopez
(violão), Jamir Torres (bateria), Irene Mutanen (acordeon) e
Carlos Gonçalves, guitarrista que acompanhou Amália Rodrigues
por quase 30 anos. Há ainda a participação do ator Nilson
Raman, que narra alguns momentos da vida da homenageada.
Bibi Ferreira não conheceu Amália Rodrigues
pessoalmente. "Assisti a vários shows de Amália, aqui no
Rio e em Lisboa. Certa vez, no final da década de 80, ela foi
me ver três vezes no Cassino Estoril, onde eu apresentava Piaf
(musical sobre a vida e a obra da cantora francesa Edith Piaf).
Soube naquela oportunidade que Amália teria dito que gostaria de
receber de mim homenagem semelhante. E elogiou a emoção que
transmiti."
Amália morreu em 1999, dois anos antes de Bibi
estrear com o espetáculo. Para escrever o roteiro e dirigir a
montagem de Bibi vive Amália, foi convocado Tiago Torres da
Silva, profundo conhecedor da obra da fadista. "O Tiago
escolheu as canções do roteiro e depois submeteu à minha
apreciação. Aí acrescentei, além dos fados, músicas que ela
costumava cantar ao se apresentar em outros países."
Entre as acrescidas estão as brasileiras Lua Luar,
"uma canção sertaneja de autor desconhecido", Trepa
no Coqueiro (Ari Kerner) e Coqueiro de Itapoã (Dorival Caymmi).
Quanto aos fados, Bibi não quis interpretar apenas "aqueles mais melancólicos. Há fados corridos, mais
alegres e busco mostrá-los no espetáculo." Bibi vive Amália ganhou duas gravações ao vivo, feitas no Canecão
(Rio de Janeiro) e em Natal, com a participação da Orquestra
Sinfônica do Rio Grande do Norte, mas ainda não há data
marcada para lançamento dos CDs. O que está sendo lançado
agora é um livro com biografia e fotos da artista.
Ao falar sobre os 60 anos de carreira, Bibi Ferreira
diz se considerar "uma eleita de Deus." E justifica:
"Sempre estive cercada por pessoas talentosas, sejam
diretores, maestros, companheiros de palco e, principalmente
papai (o ator Procópio Ferreira), com quem comecei a trabalhar
e me ensinou tanto. Além disso, me apresentei para platéias
maravilhosas no Brasil e em várias partes do mundo."
A estréia de Bibi foi na peça La Locandiera, de
Goldoni, dando vida à personagem Miradolina, no Teatro Serrador
(Rio de Janeiro), em 1941. Entre os seus maiores sucessos estão
os musicais My Fair Lady, Gota D’Água e Piaf. Destacou-se,
igualmente, como diretora e lembra com carinho de A
Ceia dos Cardeais, encenada por Jaime Costa, Sérgio Cardoso e
João Villaret, em 1954. Em julho ela dirige Sete Minutos, peça
com Antônio Fagundes e grande elenco, no Teatro Cultura Artística,
em São Paulo.
Serviço
Bibi Vive Amália
Musical com Bibi Ferreira sobre a vida e a
obra da cantora portuguesa Amália Rodrigues, amanhã, às 21h,
na Sala Villa-Lobos.
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