

BIBI FERREIRA UNE TEATRO E MÚSICA
E JÁ ENTRA EM CENA COMO A CANTORA AMÁLIA RODRIGUES
SÉRGIO RODRIGO REIS
Estado
de Minas - 15 de agosto de 2001
"NO ESPETÁCULO RELATO MUITAS COISAS EM PRIMEIRA PESSOA. SÃO
TEXTUAIS. O BONITO É QUE ESCLARECEMOS À PLATÉIA O QUE
ACONTECEU COM AMÁLIA RODRIGUES NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS DE VIDA"
Durante
a turnê portuguesa do espetáculo Piaf,
a Vida de uma Estrela da Canção, a
atriz e cantora Bibi Ferreira soube, à boca pequena, que a
cantora lusitana Amália Rodrigues havia ficado encantada com
a sua performance. E ainda que, se algum dia um artista
decidisse homenageá-la nos palcos, gostaria que fosse Bibi
Ferreira. Afeita a desafios, a brasileira decidiu levar
adiante este projeto. Estudou sílaba a sílaba os fados
cantados por ela até conseguir o tom exato da interpretação.
Mas o projeto teve que ser interrompido por causa da morte de
Amália. Quando resolveu retomá-lo, a atriz já tinha convicção
do que gostaria de fazer: "Não era um show. Meu objetivo
era unir o teatro com a música. Já entro no palco como Amália
Rodrigues", explica a artista que, neste sábado e
domingo, mostra no Grande Teatro do Palácio das Artes, o
resultado deste desafio, o espetáculo Bibi Vive Amália.
Na montagem que estreou ano passado dentro das comemorações
dos 60 anos de carreira de Bibi Ferreira, ela interpreta,
canta os fados, conversa e busca envolver o público com as
histórias da vida deste mito da cultura lusitana. É um
ritual que se repete há um ano e começa cedo a cada nova
apresentação. Nos dias de espetáculo, Bibi se concentra o
dia todo. "A dedicação tem que ser muito grande. É
quase uma ousadia uma brasileira fazer Amália e ainda ir
mostrar isto em Portugal", reconhece Bibi que,
mesmo assim, não se intimidou com o projeto. Fez um espetáculo
que, segundo ela, tinha que ser limpo, preciso. "Não
queria realizar uma caricatura. O que mais me encanta em tudo
isto é o fato de chegarmos ao fim e podermos dizer que
conseguimos", comemora. Mas é um desafio que recomeça a
cada nova apresentação. "É um momento de tanto prazer
que me concentro para não esquecer as canções. É quando a
técnica tem que sobrepor à emoção", diz a artista.
"Aqui eu preciso ser Amália", conclui. Para
conseguir isto, ela conta com a ajuda da Orquestra Sinfônica
de Minas Gerais, regida pelo maestro Nelson Melim e com os
roteiros, textos e direção cênica do poeta e escritor
português Tiago Torres da Silva.