Espetáculo "Bibi vive Amália" emociona CCB

 

Saudade, emoção e lágrimas

 

Foto de Steven Governo.

 

Durante hora e meia vive-se a ilusão de que Amália está de volta. Só depois de Bibi Ferreira abandonar o palco  salpicado de rosas vermelhas e com o público a choramingar de tanta emoção, "surge" a actriz brasileira, também ela de lágrima ao canto do olho.

 

texto: Filomena Araujo

 foto: Steven Governo

 

Os madeirenses têm oportunidade de assistir está noite, no Funchal, ao espetáculo "Bibi vive Amália" - que, ao domingo à noite, levou o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, a encher-se para recordar a diva do fado através da homenagem que a brasileira Bibi Ferreira, a comemorar 60 anos de carreira, presta a Amália Rodrigues.

"Mais uma vez aconteceu o milagre de vocês terem vindo. Para começar, o 'Fadinho Serrano'..." As palavras que foram de Amália fazem crescer a emoção do público, que segundos antes havia delirado com a chegada da fadista - incarnada por Bibi - ao palco. Afinal, era o mesmo deitar da cabeça para trás e o elevar dos braços.

Além dos fados, a deliciosa  faceta de "entertainer" de Amália. "Quando era  miúda corria descalça, agora tenho mais de 500 pares de sapatos , só que já não corro como antes". Isto para introduzir "Ai Mouraria" e prosseguir com "Perseguição" e "Barco Negro". Algumas passagens da vida de Amália são narradas pelo actor brasileiro Nilson Raman. "Amália ia ao Brasil mas as saudades de casa apertavam".
O CCB irrompe em aplausos aos primeiros acordes de "Povo Que Lavas no Rio", o seu fado mais sofrido, e a emoção continua: "Agora 'Lágrimas' com música de Carlos Gonçalves e algumas palavras minhas".
O que vem a seguir? "Eu sou assim" diz Amália com simplicidade. "Ou muito alegre ou muito triste.
Preciso das palmas para me manter viva." A alegria espalha-se na sala com o "Vira do Minho" e a memória da fadista volta à fala: "As vezes esqueço-me das letras. Carlos, o que vem a seguir?". O fiel guitarrista responde: "É o 'Fado Amália"'. "Esse fica para mais tarde. Vamos ao 'Coimbra'. E vocês cantam comigo", pede ao público.

O espectáculo aproxima-se do final mas recorda-se alguns temas brasileiros que Amália cantava. E, finalmente, "Casa portuguesa". "Vocês gostam de mim e eu de vocês", diz, em mais um diálogo com os fãs. "Quando eu morrer vão contar-se muitas histórias sobre mim e as pessoas só irão acreditar naquela que não é verdadeira". Isto para apresentar "Tudo Isto é Fado". Despede-se e deixa o palco mas volta logo para agradecer os aplausos, as rosas que atiram e cantar o "Fado Amália" acompanhada pela platéia do CCB.

Amália vai-se embora e fica, então, Bibi Ferreira. "É uma grande emoção estar aqui esta noite", confidencia já recuperado o sotaque brasileiro. " Alguns reclamaram por estar a comemorar os
meus 60 anos de carreira com a homenagem a uma fadista portuguesa. Respondi que não há nada mais brasileiro do que a ascendência portuguesa", remata.

 


 

 

O fado "Foi Deus", arquivo midi que você ouve ao fundo, foi seqüenciado por Fernando de Brito Vintém (http://www.midiportugal.com/) e faz parte do espetáculo "Bibi vive Amália".