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Os
madeirenses têm oportunidade de assistir está noite, no
Funchal, ao espetáculo "Bibi vive Amália" - que, ao
domingo à noite, levou o Grande Auditório do Centro Cultural
de Belém (CCB), em Lisboa, a encher-se para recordar a diva do
fado através da homenagem que a brasileira Bibi Ferreira, a
comemorar 60 anos de carreira, presta a Amália Rodrigues.
"Mais
uma vez aconteceu o milagre de vocês terem vindo. Para
começar, o 'Fadinho Serrano'..." As palavras que foram de
Amália fazem crescer a emoção do público, que segundos antes
havia delirado com a chegada da fadista - incarnada por Bibi -
ao palco. Afinal, era o mesmo deitar da cabeça para trás e o
elevar dos braços.
Além dos fados, a deliciosa
faceta de "entertainer" de Amália. "Quando era miúda
corria descalça, agora tenho mais de 500 pares de sapatos , só que já não corro
como antes". Isto para introduzir "Ai Mouraria" e prosseguir com "Perseguição" e
"Barco Negro". Algumas passagens da vida de Amália são narradas
pelo actor brasileiro Nilson Raman. "Amália ia ao Brasil mas as
saudades de casa apertavam".
O CCB irrompe em aplausos aos primeiros acordes de "Povo
Que Lavas no Rio", o seu fado mais sofrido, e a emoção continua:
"Agora 'Lágrimas' com música de Carlos Gonçalves e algumas
palavras minhas".
O que vem a seguir? "Eu sou assim" diz Amália com simplicidade. "Ou
muito alegre ou muito triste.
Preciso das palmas para me manter viva." A alegria espalha-se na sala com o "Vira do
Minho" e a memória da fadista volta à fala: "As vezes esqueço-me das letras.
Carlos, o que vem a seguir?". O fiel guitarrista responde: "É o 'Fado Amália"'. "Esse
fica para mais tarde. Vamos ao 'Coimbra'. E vocês cantam
comigo", pede ao público.
O
espectáculo aproxima-se do final mas recorda-se alguns temas
brasileiros que Amália cantava. E, finalmente, "Casa
portuguesa". "Vocês gostam de mim e eu de vocês",
diz, em mais um diálogo com os fãs. "Quando eu morrer vão
contar-se muitas histórias sobre mim e as pessoas só irão
acreditar naquela que não é verdadeira". Isto para
apresentar "Tudo Isto é Fado". Despede-se e deixa o
palco mas volta logo para agradecer os aplausos, as rosas que
atiram e cantar o "Fado Amália" acompanhada pela platéia
do CCB.
Amália vai-se embora e
fica, então, Bibi Ferreira. "É uma grande emoção estar aqui
esta noite", confidencia já recuperado o sotaque brasileiro. " Alguns reclamaram
por estar a comemorar os
meus 60 anos de carreira com a homenagem a uma fadista portuguesa. Respondi
que não há nada mais brasileiro do que a ascendência portuguesa",
remata.
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