
foto Raphael
Alves
Lane Lima - Especial para A
CRÍTICA
Aos 87 anos,
Bibi Ferreira ainda demonstra admirável vigor e talento insigne.
A
ouverture anunciava o
que estava por vir.
Quando Bibi Ferreira
entrou no palco do
Teatro Amazonas para
interpretar a
primeira música do
espetáculo, o
público se emocionou
com a voz
estonteante da
atriz, que aos 87
anos demonstra
admirável energia e
ratifica o posto de
uma das melhores
artistas brasileiras
de todos os tempos.
A impressão era de
que ninguém poderia
interpretar melhor
do que Bibi, as
canções da
compositora e
cantora Edith Piaf,
gravadas e tocadas
no mundo inteiro.
Durante a
apresentação, textos
sobre a vida
dramática diva
francesa são
narrados por Nilson
Raman e por vezes a
atriz brasileira
encarna Piaf.
Momentos
Dados biográficos
com passagens fortes
da trágica vida da
artista francesa são
contadas e cantadas
por meio de um
repertório
cronológico. Um dos
pontos altos do show
foi a canção “Bravo
pour le clown” que,
segundo a Bibi, é
uma música
extremamente difícil
de ser interpretada.
Tanto que não
existem regravações
da canção, por isso
seu timbre
surpreende ainda
mais neste momento
do show. Sem
mencionar os
brilhantes músicos
que acompanham a
artista em sua
turnê. Em especial a
acordeonista Irene
Mutanen que se
destaca em
“L'Accordeoniste”.
Boas lembranças
Bibi Ferreira estava
há quase 20 anos sem
vir a Manaus e disse
estar comovida por
estar de volta a
Amazônia. “Tenho
muita honra de estar
aqui nesse teatro
que está tão bem
tratado e bem
assistido, e ainda
mais acompanhada
pela Orquestra
Amazonas
Filarmônica”,
declara. “A arte é
isso. É uma
maravilha essa
conjugação toda”.
A atriz lembra as
vezes que esteve na
cidade. “A primeira
vez que vim aqui foi
em 1943, com meu pai
(Procópio Ferreira),
onde trabalhei em
uma peça que era
apresentada em uma
sacristia de uma
igreja. Em 48
retornei a Manaus
para gravar o filme
‘The end of the
river’, onde fazia
uma amazonense. O
filme é tão bem
feito, que hoje é
considerado cult”,
revela a atriz. Ela
comenta que a
terceira vez que
esteve na capital
amazonense foi para
apresentar o show
Bibi In Concert.
“Foi muito especial.
No repertório
cantava ‘Floresta
amazônica’ de Villa
Lobos”, afirma Bibi
Ferreira.
Emoção
Durante o bis, a
artista convidou o
público a cantar
novamente “La Vie en
Rose”. “Vocês vão
fazer o favor de
cantar para mim.
Quem não souber a
letra, faz lá lá
lá”. E parafraseando
Millor Fernandes,
ela os incentiva. “O
artista é 10%
talento. O resto é
cara de pau”. No
final do show a
cantora se emociona
ao receber uma placa
da Secretaria de
Cultura. A homenagem
ficará ao lado da
placa de seu pai
Procópio Ferreira,
no Teatro Amazonas.
“Nessa hora me
faltam as palavras
certas. Estou muito
comovida com tudo
isso e quero
agradecer de
coração. Só que não
tenho idade para
tanta emoção. Posso
ter um treco”, diz a
atriz, despedindo-se
do público
manauense.
As empresas
responsáveis
"BIbi Ferreira em
Manaus é um sonho e
um desafio
alcançado", disse a
diretora da Bravo
Entretenimento,
Viviane Tavares.
Para ela, que divide
os créditos de
produção com Paulo
Henrique Pessoa, da
Am do Brasil
Produções Teatrais,
o espetáculo é uma
jóia rara e
enfatiza: "É com
este nível de
qualidade artística
que trabalharemos
sempre". Paulo
Henrique concorda:
"Manaus necessita
urgente desta
sensibilização por
meio da arte,
inclusive nossos
artistas locais, que
a partir deste ano
se
profissionalizarão
graças a cadeira de
Teatro da UEA. O
convívio com estes
grandes nomes é
importante para
todos", conclui.
TEMPORADA DE BIBI EM 1949
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Kit
Matéria e fotos gentilmente enviadas por Paulo
Henrique Pessoa, da Am do Brasil Produções Teatrais.
As fotos são de
Viviane Tavares,
diretora da Bravo
Entretenimento e do fotógrafo
amazonense Raphael
Alves.